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Blog do Dr. Valdinar M. de Souza
 


NÓS, EVANGÉLICOS, SOMOS INTOLERANTES

 

Certa vez, em Xinguara, já faz alguns anos, quando eu ainda nem era evangélico protestante, conversava com um colega sobre religião. Aliás, nem era bem sobre religião: a conversa girava em torno de um debate político que acontecera na tevê, na noite anterior, sendo que um dos debatedores era o então deputado federal por Pernambuco Roberto Freire, do Partido Comunista Brasileiro (PCB). E, quando, a certa altura da conversa, eu o elogiei pelo fato de, mesmo ele sendo ateu, ser tolerante com a crença dos demais, o irmãozinho meu interlocutor, que era e ainda é membro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, me repreendeu asperamente.

Em seguida, contra a minha vontade, entabulamos um diálogo insípido, extremamente desagradável, que me deixou deveras aborrecido, pois sempre detestei pessoas intolerantes e preconceituosas, que se julgam as únicas detentoras da verdade absoluta, notadamente em matéria de fé. Eu ainda não era evangélico de direito, mas já o era de fato: cria na Bíblia Sagrada, como a Palavra de Deus, e em Jesus Cristo, como o Filho de Deus, meu Senhor e Salvador. Faltava somente filiar-me a uma denominação evangélico-protestante, como fiz algum tempo depois, entrando para a Igreja Presbiteriana do Brasil, a qual, anos depois, praticamente expulsar-me-ia por ser maçom. Ironia do destino. Há coisas que se não explicam, ou, pelo contrário, são explicadas até demasiadamente. Sei lá!

O problema do meu interlocutor naquela conversa é que ele era muito intolerante com as pessoas não crentes e com os crentes de outras denominações que não a denominação dele, como, aliás, infelizmente são quase todos os cristãos evangélicos que conheço. Ele simplesmente pensava que, por termos a convicção pela fé de que somente Jesus Cristo salva, temos de sair impondo a nossa verdade às demais pessoas, sem nos preocuparmos com a fé que elas professam.   

Foi demais. Muito chato e, acima de tudo, uma conversa infrutífera, amarga e sem graça.  Anos e anos se passaram, tornei-me evangélico e tudo que sempre desejei foi simplesmente ser crente: nenhum cargo, nenhuma posição de realce, nada mais, pois nunca desejei cargos de liderança por onde quer que passei. Ledo engano, esperança debalde, malograda: isso me seria negado. E foi. Oficialmente, não, mas, na prática, me expulsaram da minha igreja pelo fato de eu ser maçom. Intolerância é coisa do diabo, agora, mais do que nunca, o vejo. E sofro. Sim, eu o sofro há muito. Deus saberá até quando. Uma convicção, contudo, eu tenho: a Maçonaria é inocente nessa história.

 Em relação ao dito episódio ora relembrado, faço minhas, com muita propriedade, estas palavras de Mauricio Zágari, pinçadas de A Pecaminosa Intolerância dos Evangélicos: “[...] naquele dia, eu tive de admitir algo que é muito doloroso para um cristão: nós, evangélicos, somos intolerantes. Aliás, muito intolerantes.” Não somente naquele dia, hoje ainda mais o admito. E sofro. Nós, evangélicos, somos intolerantes. Eu, contudo, acrescento que intolerância é coisa do diabo e seus sequazes. Quem quiser que se peje.

É verdade. Desde criança, ouvia meu pai dizer que até o diabo tem os dele. É duro, mas penso que é verdade: o diabo tem os seus sequazes. Consola-me, contudo, saber disto: “O Senhor conhece os que lhe pertencem” (2 Tm 2.19). Isso me basta. O nosso tempo não é o tempo de Deus. Isso também é bíblico.



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 00h44
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RESPEITO, DECÊNCIA E ELEGÃNCIA

Respeito, decência e elegância são qualidades que se não veem com muita frequência ultimamente no Facebook e nas demais redes sociais. Procuro, todavia, fazer a minha parte e nem sempre seguir a maioria. A multidão, como turba ensandecida, nem sempre está certa e, por isso mesmo, não raro é má conselheira. Há exemplos históricos contundentes que falam por si sós; basta, pois, revisitá-los.

Não vou chamar aqui de bandidos e criminosos os ainda Deputado Federal Eduardo Cunha e Senador Renan Calheiros por dois motivos: primeiro, sou um advogado que prima pela decência e defende no mais alto sentido da palavra o princípio constitucional da presunção da inocência até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória; e, segundo, eles são réus, mas ainda não têm nem sequer sentença penal condenatória, quanto mais transitada em julgado.

O que vale para Chico também vale para Francisco, pois o hipocorístico não apequena nem faz por desmerecer a ninguém. Daí já dizer o ditado: "O pau que dá em Chico dá em Francisco." Renan e Cunha, para este advogado, mesmo sendo réus, serão inocentes até a sentença penal condenatória transitada em julgado. Agora, que é extremamente difícil que, ao fim e ao cabo, permaneçam sendo, isso é!

É difícil para qualquer pessoa decente aceitar que uma pessoa acusada de tantos crimes de corrupção e outras espécies, réu em tantos processos, como Eduardo, presida, exercendo assim a função de magistrado, um processo de admissibilidade de denúncia contra a Presidente da República. Ele, mesmo gozando do princípio da presunção da inocência, há muito já deveria ter sido, processual e constitucionalmente, afastado do cargo de Presidente da Câmara dos Deputados.

E não somente ele! Centenas de deputados que votaram pelo sim são acusados da corrupção que dizem combater. Como entender isso? Como, serenamente, aceitar como razoável tanta hipocrisia? Como aceitar que um deputado, ao votar no sim, olhe para o acusado e réu por corrupção Eduardo Cunha e diga que vota no sim, contra a corrupção e para dar esperanças ao porvir? É muita falta de vergonha na cara! É muita desfaçatez!

Eu tenho medo, muito medo, dos donos da verdade, dos arautos da moralidade de plantão, santões e santarrões, porque sei que a verdade não tem donos, porque sei que os tais, no fundo, não existem como se mostram: são fantasmas naquilo que se esforçam por mostrar, pois, na essência, são hipócritas, indecentes e imorais.

Minha autodefinição preferida é: "Sou homem e, por isso, imperfeito." Não é da boca para fora, eu realmente acredito nisso e, por isso, temo e tremo. “O tempo é o senhor da razão”, já diz a sabedoria popular. É esperar para ver. Vamos para frente, mas com respeito, elegância, decência e ordem!



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 14h01
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MARABÁ JÁ NÃO É TÃO PROVINCIANA

Marabá já não é tão provinciana, e eu, amando-a como a amo, tenho gosto nisso. Fico feliz por vê-la crescer a passos largos, desenvolver-se cotidianamente, a despeito das nossas dificuldades (mazelas mesmo, embora a palavra já me pareça tão gasta). Temos problemas, sim, e muitos, como os têm todas as cidades. Isso, contudo, pela razão mesma de ser – comum a todas as cidades, diga-se de passagem – é normal, conquanto, bom é que também se diga, normal não seja necessariamente o que acontece com mais frequência. Isso é frequência, normalidade é outra coisa. 

Omito propositadamente o dia e o ano, mas estou em fevereiro de 2000 e lá vai cacetada. Foi um dia normal até agora, graças a Deus. Acordei, às 5h20, para ser exato, porque a Câmelha, minha mulher, viajou para Belém, no ônibus das 6 horas. Às 6h55, saí para a caminhada que venho fazendo diariamente, no Aeroporto de Marabá “João Correa da Rocha”. Hoje foi a primeira vez que caminhei pela manhã: nos dias anteriores o tenho feito à tarde, cerca de uma hora e alguns minutos, quase duas, entre as 16 e as 18 horas. 

Caminhar no aeroporto é, para mim, um ato poético. Caminho, cada vez, com muito prazer, contemplando a natureza, a decolagem e aterrissagem dos aviões, as pessoa ao meu redor – que, como eu, estão a caminhar –, enfim o pôr ou, conforme o caso, o nascer do sol. Por tudo isso, para mim, é melhor e muito mais agradável a caminhada à tarde, quando há mais pessoas caminhando, mais aviões subindo e descendo, e assim por diante. 

Nascido em São Domingos do Araguaia (à época, lugarejo de uma única rua; hoje, pacata cidadezinha do interior do Pará), fui criado e vivi grande parte da minha vida na zona rural. Daí vem a minha relação apaixonada com a natureza, muito notadamente com o pôr e o nascer do sol, ambos indizivelmente belos, conquanto muito diferentes entre si. É muito bom – para dizer o mínimo – contemplar, calado e absorto, o nascer e, principalmente, o pôr do sol. É maravilhoso! Sempre tive a impressão de que ao pôr do sol a natureza toda se ajoelha para conversar com o Criador e Mantenedor do Universo. 

 Pois bem. Cheguei da caminhada às 9h5. Tomei banho, fiz a refeição matutina (shake, chás e tabletes da Herbalife), tomei a medicação cardiológica de uso contínuo e vim para o computador, meu velho e querido desk top, acessar o Facebook, para registrar minha alegria desta manhã, meu estado de espírito. O computador, a informática, o celular e a internet são maravilhas com que – mais do que presentear – a ciência e a tecnologia galardoam o ser humano do meu tempo. 

Fica, pois, registrado. Estou feliz no momento em que escrevo. Espero que essa alegria e felicidade perdurem por todo o restante do dia, um dia de realizações, de muita produtividade e de bom relacionamento com o semelhante, sem que eu prejudique nem seja prejudicado. Que ninguém me julgue erradamente – confundindo altivez com arrogância – pois não sou arrogante: tento tão somente ser altivo. 

Quero crescer com Marabá, que já não é tão provinciana.



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 23h34
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O Recuo Político do Planalto e a Promulgação da Lei Complementar Inconstitucional

Foi publicada no Diário Oficial da União, edição de 4 de dezembro de 2015, a Lei Complementar n.º 152, de 3 de dezembro de 2015, que dispõe sobre a aposentadoria compulsória por idade, com proventos proporcionais, nos termos do inciso II do § 1º do art. 40 da Constituição Federal, promulgada pela Presidente da República, Dilma Rousseff, após a rejeição do veto integral que fora oposto ao respectivo projeto de lei. O projeto de lei, à época do veto, foi considerado formalmente inconstitucional pela Presidência da República por ser da iniciativa de parlamentar, já que projeto de lei sobre aposentadoria de servidores da União é da iniciativa privativa do Presidente da República.

 

O veto foi publicado na edição de 23 de outubro de 2015 do Diário Oficial da União, comunicadas ao Congresso Nacional, pela Mensagem n.º 441, de 22 de outubro de 2015, as razões do veto nos seguintes termos: "Por tratar da aposentadoria de servidores públicos da União, tema de iniciativa privativa do Presidente da República, o projeto contraria o disposto no art. 61, § 1º, inciso II, da Constituição."

 

O Congresso Nacional, aproveitando-se da instabilidade política, ignorou a Constituição da República e rejeitou o veto. Feito isso, caberia à Presidente da República promulgar a lei dentro de quarenta e oito horas, como fez: se ela não a promulgasse, deveria o Presidente do Congresso Nacional fazê-lo. Não deu outra: a Presidente da República, encurralada pela situação política, mais do que depressa, promulgou a lei formalmente inconstitucional. Pequeno exemplo das horrendas coisas da política (melhor dizendo: politicagem) das quais até o diabo duvida.

 

O projeto de lei complementar realmente era (e agora a lei respectiva é) formalmente inconstitucional, por vício de iniciativa. O art. 61, § 1.º, incisos I e II e respectivas alíneas, estabelecem a maioria dos casos em que a iniciativa das leis – ou seja, o envio do projeto de lei ao Poder Legislativo – é da competência privativa do Presidente da República, embora da iniciativa privativa do Chefe do Poder Executivo também sejam os projetos previstos no art. 165, incisos I ao III (plano plurianual, diretrizes orçamentárias e orçamentos anuais). Com efeito, são da iniciativa privativa do Presidente da República as leis que disponham sobre aposentadoria de servidores públicos da União e Territórios, por previsão expressa do art. 61, § 1.º, inciso II, alínea “c”, da Constituição de 1988.

 

Ao leigo pode até parecer coisa simples e sem importância a questão da formalidade de iniciativa das leis, mas não é. A Constituição da República precisa ser defendida e respeitada neste ponto como em qualquer outro ponto do seu longo e analítico texto. A Constituição não contém palavras nem comandos inúteis.    

 

A derrubada do veto e a consequente promulgação da lei não têm o efeito de convalidar a iniciativa, ou seja, não retira a inconstitucionalidade formal. A lei continuará sendo inconstitucional e restará ao Procurador-Geral da República ou à Ordem dos Advogados do Brasil, dentre outros legitimados universais para a propositura de ações do controle concreto de constitucionalidade, propor ação direta de inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal.

 

A iniciativa privativa das leis não é um privilégio do mandatário, é uma garantia da ordenação jurídica no interesse do Estado. O Presidente da República ou qualquer outro mandatário não pode jamais abrir mão da iniciativa, que – repita-se – não é privilégio pessoal, é interesse da República. Ainda mais em situações como esta, em que fica público e notório a promulgação ter sido forçada por interesses pessoais escusos.  



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 14h52
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Mais um ano sem mamãe

Há dois anos, na noite de 28 para 29 de novembro de 2013, por volta das 22 horas, falecia no Hospital Regional do Sudeste do Pará "Dr. Geraldo Veloso" a minha mãezinha, Antônia Monteiro de Souza, dona Cuqui, como era íntima e carinhosamente chamada por parentes e amigos. Perdi a minha mãezinha!

Mamãe! Ah, mamãe!...Tenho chorado sozinho ao longo desses dois anos, no recesso do meu lar, em variadas horas do dia ou da noite, a dor inconsolável dessa perda. É natural que seja assim, eu sei. Haverei de continuar chorando, porque minha mãe, igual todas as mães, é inesquecível e, claro, insubstituível.

Não é saudade eterna, porque eu creio na vida futura, no céu com o Pai, onde tudo será diferente: é, contudo, saudade para toda a vida. Saudade boa, mas doída sempre, à qual se vão somando outras saudades, tal qual esta a outras saudades se somou. É a vida, com as suas perdas inevitáveis. Antes da minha mãe, perdi meu pai, meu irmão Raimundo e meu tio Américo. Antes deles, perdera minha sogra, dona Ana. Agora, dia 17, perdi minha tia Maria do Carmo, a tia Neguinha.

O choro e a saudade pela perda de um ente querido são sempre inconsoláveis, por se saber que não haverá volta, pois a morte não é o fim da história, mas é o fim da vida na terra. A Bíblia Sagrada fala disso. Lembra-me sempre o choro de Raquel: “Em Ramá se ouviu uma voz, lamentação, choro e grande pranto; era Raquel chorando os seus filhos e não querendo ser consolada, porque já não existiam” (Mt 2.18). Nossos entes queridos que se foram estarão sempre conosco, porque seus feitos, gestos e palavras estão em nossa mente e nosso coração, mas a lembrança, por lembrar a perda, dói e dói muito sempre.

Há, contudo, se não o consolo nesta vida, a esperança na vida futura, após a morte. (Falo aos que creem como eu creio. Quem não crê fique em paz com sua consciência e sua descrença. Somos amigos da mesma forma.) Diz, pois, a Bíblia: “E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap 21.4).

Deus, ó Deus, ao teu nome toda a honra e toda a glória, pela eternidade! Mamãe, ó mamãe, ainda que eu não escreva outras crônicas, tu estarás comigo, na mente e no coração, enquanto vida eu tiver. Until the end of times. Até o fim dos tempos. Obrigado por tudo, por teres sido a minha mãe!



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 16h33
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Necrológio de Benedito Barbosa Macias

Meus Amados e Poderosos Irmãos!

 

Nascido em 9 de fevereiro de 1948, falece hoje, 20 de outubro de 2015, nosso Ir.’. Benedito Barbosa Macias.

Foi da vontade e santos desígnios do Grande Arquiteto do Universo, que é Deus, o Criador, Senhor e Mantenedor do Mundo e Suas Criaturas Morais, que nós, maçons do quadro da Augusta e Respeitável Loja Simbólica “Firmeza e Humanidade Marabaense” n.º 6, da jurisdição da Mui Respeitável Grande Loja do Estado do Pará, estivéssemos aqui, como estamos, nesta hora, em cerimônia fúnebre de Velório Corpo Presente, pranteando o desenlace do nosso amado Ir.’. Benedito Barbosa Macias, e que fosse eu o Orador da Oficina, como sou. Sim, foi este o desígnio do Grande Arquiteto do Universo. Cumpro eu, pois, o meu dever de Orador, conquanto me sinta nesta hora tão pequenino para a tarefa diante da grandeza do irmão falecido, tanto maçônica quanto profanamente falando. Dever, doloroso dever, ninguém o olvide.

Maçom valoroso, natural de Goiás, de boa estirpe, marido amoroso e pai extremado, Benedito Barbosa Macias nasceu no dia 9 de fevereiro de 1948, filho de Lourival Augusto Macias e de Raimunda Barbosa Macias. Nasceu, cresceu e viveu toda a sua vida – inescusável deixar de falar –, grande parte dela dedicada, carinhosa e zelosamente, à Sublime Ordem, à Arte Real, como exemplo de pedreiro-livre a ser copiado e seguido orgulhosamente por todos nós.

Casado, em 24 de setembro de 1977, com a jovem Senhorita Ilda Noceti – agora nossa vitalícia cunhada Ilda Noceti Macias – deixa órfãos de pai os nossos amados sobrinhos Benedito Barbosa Macias Filho e Brenda Macias, aos quais, com o inestimável auxílio da não menos dedicada e virtuosa esposa, sua ajudadora fiel, criou zelosamente e encaminhou na vida, fazendo-os verdadeiros cidadãos do Pará, do Brasil e (por que não o dizer?) do mundo.

Era educado, falava baixo e mansamente. Dedicado à busca do conhecimento, estudou até o ensino superior incompleto e se dedicava sempre ao estudo de assuntos maçônicos. Como profissão, exerceu a mercancia, dando assim, de forma ordeira, a sua contribuição econômico-social para nossa cidade, nosso Estado e nosso país. Era, por excelência, como deve ser todo maçom, um exímio e meticuloso cumpridor de seus deveres, tanto maçônica quanto profanamente falando.

Iniciado nos augustos mistérios da nossa Sublime Ordem, em 6 de abril de 1986, aos 38 anos de idade, foi elevado a Companheiro Maçom em 24 de outubro de 1986 e exaltado Mestre Maçom em 13 de maio de 1987. Na Maçonaria exerceu, zelosa e brilhantemente, quase todos os cargos, tanto na Maçonaria Simbólica quanto nos demais corpos, comumente chamados de Graus Filosóficos ou Altos Graus. Foi iniciado no Grau 1, como Aprendiz Maçom, e galgou até o último dos graus – o Grau 33, Grande Inspetor Geral – do Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil.

Era dedicado ao extremo à ritualística, qualidade sua que confessadamente sempre admirei. Era um professor de nós! Faleceu como Venerável de Honra da Augusta e Respeitável Loja Simbólica “Firmeza e Humanidade Marabaense” n.º 6, e, nos Graus Filosóficos, como Grande Inspetor Litúrgico da 3.ª Região do Estado do Pará do Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil. Era maçonicamente – repito – o professor de todos nós, que, nesse aspecto, ficamos todos órfãos e mais pobres.

A Maçonaria, meus amados e valorosos irmãos, é, como todos nós sabemos, Deus, Pátria e Família, e o nosso Ir.’. Benedito Barbosa Macias cumpriu como maçom seus deveres em todos esses sentidos. Teve a sua fé, professando a sua religião, conforme os livres ditames de sua consciência. Serviu e honrou sua pátria, pelas efetivas atividades em sua cidade e seu Estado. Foi filho, foi marido, foi pai, foi dedicado e valoroso em todos esses misteres. Não tenhamos jamais dúvida disso!

Executa-se, mais uma vez, a sentença prolatada lá no Éden por causa do pecado de Adão, conforme atesta o Livro da Lei, em Gênesis 3.19: “Memento, homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris.” (“Lembra-te, homem, de que és pó e ao pó tornarás.”) É o curso natural da vida.

Vá, meu Ir.’. Benedito Barbosa Macias, para o lugar que lhe está destinado na eternidade! Aqui ficaremos nós, tristes e saudosos, enquanto nos permitir o Grande Arquiteto do Universo, que é Deus! Seu nome, sua pessoa, sua lembrança e suas obras continuarão sempre conosco, porque estão em nossa mente e em nosso coração. Until the end of times! (Até o fim dos tempos!)



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 11h14
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João Belizário de Souza, meu pai

É domingo – para ser mais preciso, segundo domingo de agosto de 2015 –, é Dia dos Pais. E, por ser Dia dos Pais, quero com esta que é mais uma das minhas insignificâncias literárias prestar homenagem a um homem especial, João Belizário de Souza, meu pai. Quero homenagear o homem que me gerou e, bravamente, honestamente, sofridamente, mas, acima de tudo, honrada e alegremente me criou. 

Era simples, muito simples; pobre, muito pobre e não sabia ler nem escrever, mas, a despeito disso tudo e muito mais, era sábio, honesto, trabalhador, admirável. Era imperfeito?... Sim, ele o era (como todo ser humano é); era, contudo, um homem extraordinário: não posso jamais esquecer o seu exemplo. Não vou jamais deixar de admirá-lo e de sofrer pela sua ausência, como sofro agora com as lágrimas incontidas a descerem pelo canto dos olhos, tal qual tantas vezes me te acontecido e haverá de acontecer ao longo dos meus dias sobre a terra. 

Choro o choro inconsolável, qual o choro de Raquel por seus filhos, porque ele já não existe no plano físico: foi chamado pelo Senhor, Criador e Mantenedor do Universo no dia 20 de janeiro de 2007, quando, aproximadamente, às 15h30, faleceu de morte natural, antes de completar 72 anos de idade.  Falo do velório dele na crônica “Ab imo pectore, meu pai”, já perenizada pela publicação em livro. É tudo que posso fazer por ele  – e o faço como muito gosto e muita honra –, não obstante o repute muito pouco.  

Quando criança e adolescente, admirando os grandes escritores e desejando ardentemente segui-los, imitá-los, acalentava o sonho de escrever um texto muito lindo, que fosse o texto mais lindo independentemente de ser em prosa ou em verso, no qual descrevesse a castanheira, a Bertholettia excelsa. Jamais consegui fazê-lo, porque tudo que produzi achei inexpressivo e rejeitei: joguei fora, destruí. Com o tempo, esqueci isso, deixei de mão, perdi o interesse.  

Pois bem. Tenho hoje a mesma sensação em relação a meu pai e, conquanto não jogue fora o que escrevo, sempre reputo inexpressivo o que produzo a seu respeito. Aliás, eu falo disso no fim da crônica “Ab imo pectore, meu pai”. E é verdade. Há, porém, uma diferença: perdi naturalmente o interesse juvenil de falar sobre a castanheira, jamais perderei, contudo, o interesse apaixonado de falar sobre o meu pai! 

A morte o levou, eu sei, mas ele estará sempre comigo ao longo da minha vida na terra, na minha mente e no meu coração de filho agradecido. A morte não o tirará jamais de mim, senão quando também me levar, no tempo devido, a prestar contas ao Criador! Eu creio nisso, embora respeite a quem não crê. Matéria de fé é matéria de fé. Viva João Belizário de Souza, meu pai! 

Fecho com as Escrituras Sagradas, autoridade maior para todo aquele que crê: “Ouve a teu pai, que te gerou, e não desprezes a tua mãe, quando vier a envelhecer” (Provérbios 23.22). “Audi patrem tuum, qui genuit te, et ne contemnas cum senuerit mater tua” (Proverbia 23,22). Listen to your father, who gave you life, and do not despise your mother when she is old” (Proverbs 23:22).    



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 16h41
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A trajetória de um dia

A trajetória de um dia...

 

É, pouco ou muito, tudo o que se faz

É a rotina – doce, amarga ou indiferente –

De gente pobre e fraca que com tudo se apraz,

Ou de gente rica e audaz que de tudo se ressente

 

 

A trajetória de um dia...

 

 

É o espaço físico da curta, ou longa rotina

É a medida do medo na palavra da bravata

É o resvalar muito inglório que apouca e amofina

Na angústia bolorenta da incerteza que mata

 

 

A trajetória de um dia...

 

 

É a aura viva da esperança que conduz

E se não deixa aniquilar pelo ato que desampara

É a força imarcescível do ânimo que reproduz

A alegria do recomeço na resiliência tão cara

 

 

A trajetória de um dia...

 

 

É incerteza, medo e angústia em compasso de espera,

Mas é também esperança, que não morre nem cansa

É o recomeçar depois de um fim, com esperança de acertar

É vida a se abrir no que nasce sem se fechar no que morre

 

 

A trajetória de um dia passa, finda, mas principia!



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 23h38
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Medo

 

Medo, muito medo

Eu tenho medo

Medo de fracassar

Medo da depressão

Medo da opressão

Medo da loucura

Medo do passado

Medo do presente

Medo do futuro

Medo da arrogância

Medo da falsidade

Medo dos donos da verdade

Medo dos outros

Medo de mim

Medo da vida

Medo do medo

Medo do mundo

Medo de tudo

Eu tenho medo, muito medo

Sou homem, de carne e osso

Sou, por isso, imperfeito

Como objeto, ou como sujeito

Por isso, confesso: tenho medo

Não nego nem faço segredo

Ai, que medo!...



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 15h09
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Mensagem de aniversário ao meu filho Douglas

Douglas Monteiro, meu filho amado:

 

Hoje, 4 de janeiro de 2015, você está no berço, completa mais um ano de vida, em nossas vidas! Parabéns, meu filho! Pena que a distância física me impeça o abraço paterno tão merecido do dia hoje: estou em Marabá e você está em Bragança, neste nosso Pará de dimensões continentais. Sinta-se, contudo, abraçado, meu filho. Receba-o da pessoa do Samuel, seu irmãozinho que tanto o admira, e da Câmelha Pereira Santos Souza, sua madrasta, que aí estão para o tratamento da saúde dela e me representarão neste ato. Também a dona Maria José Brito Correia, sua mãezinha querida, o fará. A Lene, sua amada mulher, e a Noelma, Noângela e Neumária, suas irmãs biológicas, também o farão.

Você é um homem bom e tem muitas qualidades, dentre elas a profunda bondade e humildade, que – tenho convicção absoluta – herda de sua mãe, Maria José Brito Correia, uma das pessoas mais humildes e bondosas com quem tive até hoje a oportunidade de conviver. Continue assim, meu filho. Continue, porque a bondade e a humildade sempre haverão de abrir portas na sua vida.

Ah, meu filho, ocasiões como esta são sempre oportunas para o agradecimento e o pedido de perdão. Quero, pois, agradecer a Deus pela dádiva da sua vida em nossas vidas, meu filho, mas quero também lhe pedir perdão pelos erros que cometi em relação a sua pessoa, ao longo de sua criação. Ah, meu filho, eu sei que errei tanto! Sim, eu errei muito. Saiba, contudo, que jamais o fiz propositadamente, todos os erros cometidos por mim foram na intenção paterna e amorosa de acertar. Perdão, meu filho! Perdão.

Mais uma vez, parabéns, meu filho! “A dor da nossa distância forçada vai estar sempre comigo”, para citar Bráulia Ribeiro, digo expressando a minha dor e saudade impostas pela separação física. “O SENHOR te abençoe e te guarde” (Nm 6.24), digo abençoando-o! Sim, o SENHOR abençoe e guarde você sempre!

Hoje você completa 28 anos de vida. Que bom! Vá, meu filho, siga sua vida, errando como homem, pois todo homem erra, mas, a despeito disso, buscando sempre o caminho da lealdade e da retidão. Nunca se esqueça disso, meu filho. E que o Grande Arquiteto do Universo, que é Deus, amor e bondade, o conduza no seu caminho eterno, como diz a sua bendita Palavra!

Ab imo pectore, ab imo corde,

 

Seu pai.



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 11h47
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Depressão

 

 

 

Comprei a revista Caras, edição 1.101, por causa da chamada de capa para a entrevista do padre Marcelo Rossi, sobre a depressão de que se recuperou. Li a entrevista, mas não gostei, por julgá-la superficial. Penso que deveria ter sido mais aprofundado o tratamento da questão, mas, tudo bem. Valeu a pena. 

 

Fiquei sabendo, contudo, que Marcelo Rossi, certamente tal qual pensam muitos outros, não acreditava em depressão. “Achava que era frescura. Não é”, disse ele. É verdade, não é frescura. É enfermidade mesmo, digo eu. Sei disso porque já tive depressão. Aliás, tive, não: eu tenho. Luto diariamente com a depressão, para não me deixar dominar. Tenho consciência disso. 

 

É raro o dia em que não amanheço deprimido. Acordo, quase todas as manhãs, com a terrível sensação de que o mundo desaba sobre mim. Procuro reagir, sempre e imediatamente, mas é terrível. Quem passa por isso como eu passo sabe como é a coisa e, por conseguinte, sentindo o que sinto, entende na real dimensão o que estou falando. Fora disso, só psicólogos e psiquiatras. 

 

Fiz, contudo, um pacto comigo mesmo: não duvidar da enfermidade e jamais me abandonar e deixar-me dominar. Não é autossugestão ou coisa que o valha, não: é a responsabilidade comigo mesmo. Cheguei a tomar remédio controlado durante alguns meses para sair da crise e me recuperar, em 2010 ou 2011, e saí. Saí da crise, é verdade, mas a recidiva, como já disse, me ameaça cotidianamente. 

 

O cardiologista – que me receitou o antidepressivo e tirou-me da crise – recomendou-me procurar posteriormente tratamento psicológico, o que não fiz. Hoje não tomo antidepressivo. Tomo a medicação cardiológica (evidentemente porque sou cardiopata) e procuro viver normalmente, seguindo a orientação do meu médico, embora não o faça em tudo, uma vez que não me submeti ao tratamento psicológico, como me orientou que me submetesse. Levo, todavia, vida normal (se é que se pode chamar isso de normal).  

 

Se você tem depressão, cuide de sua vida, porque a coisa é séria. Não descuide. Quem duvida ou pensa que depressão é frescura que vá para o inferno, por mais pesado que isso possa parecer. Não estou nem aí. Que se dane! Como diz o ditado, quem calça o sapato é que sabe onde aperta. Não suporto gente metida a besta, embora o mundo, por certo, desde que é mundo, esteja repleto dos tais.

 

 

 



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 10h43
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Um ano sem mamãe

São 22h38 (23h38, no horário brasileiro de verão, HBV) de 28 de novembro de 2014. Hoje, às 22h20, fez um ano que minha mãezinha, Antônia Monteiro de Souza, cumprindo os desígnios do Grande Arquiteto do Universo, que é Deus, nos deixou e foi para o seio de Abraão.

Foi um ano de lembranças: lembrança alegre dos momentos de carinho, alegria e felicidade que ela, com sua humildade e dedicação a toda prova, nos proporcionou, a mim, meus irmãos e nosso pai; lembrança triste – para mim, sempre muito doída e muito triste –, quando me lembro do quanto ela e meu amado pai – pobres ao extremo, porém honestos e honrados – sofreram para nos criar, a mim e meus irmãos.

Ah, mamãe! Ah, mamãe, é impossível não chorar agora, como tantas vezes tenho chorado – sozinho, no meu cantinho – pela sua ausência, choro inconsolável como o choro de Raquel!

Transcrevo a nota que publiquei no Facebook, dia 29:

 

Lamento informar aos irmãos, parentes e amigos que minha mãe faleceu, às 22h20 de ontem para hoje. Seu corpo está sendo velado, desde as 3h50, na residência da minha irmã Ednalva e meu cunhado José Cabral, na Rua Monteiro Lobato, Quadra 94, Bairro da Paz.  

Agradeço a todos que oraram e desejaram sua recuperação. Estivemos o tempo todo e continuaremos na inteira dependência de Deus, o criador e mantenedor do Universo, Pai, Senhor e Salvador dos que creem. A ele toda a honra e toda a glória!

 

Não poderia deixar de trazer também as palavras do meu amigo de juventude em São Domingos do Araguaia, companheiro de estudos e irmão de fé cristã Antonio Ferreira Filho, com que me sinto homenageado e com que, principalmente, homenageio a minha mãezinha e o meu pai.

Escreve ele, Antonio Ferreira Filho, no Facebook:

 

Tenha certeza de uma coisa. Sua mãe foi uma guerreira incansável que cumpriu fielmente sua missão nesta vida. Você é uma prova disso. Lembro-me da primeira vez que fui até sua casa em São Domingos do Araguaia. Guardo em minha memória ainda até hoje o semblante de sua mãe e de seu pai. Sei das lutas e dificuldades que enfrentaram. Mas ambos triunfaram. Lembro-me de algumas pessoas que criticavam sua humildade e a de seus pais. Mas aquele que tudo vê, que sonda os corações, que não julga ninguém pela aparência exterior e sim pela reta justiça, que recompensa a cada um de acordo com seus méritos, o fez um vencedor na vida, apesar de todas as dificuldades e obstáculos. Seu pai e sua mãe foram heróis e vencedores. E você os encontrará na glória celeste, no reino eterno. Lugar para onde irão todos aqueles que nesta vida cumpriram fielmente sua missão de vida. Coragem e ânimo nesta hora difícil, meu amigo e irmão. Mais um pouco o que há de vir virá e não tardará. O Senhor estará contigo neste momento difícil.

 

Puxa vida, quanta verdade! Quanto consolo e conforto me trazem as palavras desse amigo e irmão! Antonio Ferreira Filho conheceu os meus pais e fala, pois, com autoridade, porque fala do que sabe, conquanto, como se vê, o faça pelos olhos do coração.

Encerro, obviamente, com tristeza. É natural, não poderia estar alegre. Continuarei, todavia, na inteira dependência de Deus, que é o criador e mantenedor do Universo, Pai, Senhor e Salvador dos que creem. Eu sou imperfeito, infiel e miserável – com temor e tremor o confesso –, mas ele é perfeito, fiel e justo, indescritível. A ele, pois, toda a honra e toda a glória!



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 10h24
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Dia de Finados

Hoje, 2 de novembro, no Brasil, é Dia de Finados. As pessoas vão ao cemitério visitar os túmulos de seus entes queridos. É natural ser assim enquanto durar nossa passagem pela terra. Muitos acendem velas e rezam como intercessão, porque assim creem. Outros, não o fazem, porque também creem diferentemente. É questão de fé, e fé não se deve discutir. Nada há de errado em ir ao cemitério visitar o sepulcro de um ente querido. A Bíblia diz que há tempo para todo propósito debaixo do céu, inclusivamente, tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de saltar de alegria (Ec 3.4).

Não acendo velas nem rezo nem oro pelos mortos, porque creio não ser bíblico fazer isso. Para mim, não há sentido algum, a não ser o fato de ser pecado como heresia. Não é disso, contudo, que quero tratar, até por entender que aqui não seria o foro adequado nem seria propícia a ocasião. Cada um com sua crença ou sua descrença, fé ou falta de fé. Quero falar é da vitória sobre a morte na qual muitos creem como eu creio e, por isso, a aguardam, como eu aguardo, com grande expectação. Cada um, obviamente, conforme sua religião.

Meus pais, João Belizário de Souza e Antônia Monteiro de Souza, já não estão conosco, porque se encerraram seus dias sobre a terra: faleceram, foram sepultados e agora nos são apenas de saudosa lembrança, lembrança doída pela certeza da ausência para sempre. Marabá é a cidade dos sepulcros dos meus pais, aqui eles foram sepultados.  

Lembra-me o profeta Neemias, que fala, cheio de ternura, da cidade onde estão os sepulcros de seus pais, conquanto estivesse triste no momento de sua fala, não pela morte dos pais, mas pela desolação de Jerusalém, que caíra escrava sob o jugo da Babilônia. A Bíblia o registra (Ne 2.3-5) e  tenho meditado sobre isso.

Com efeito, é consolador a Bíblia dizer da vitória sobre a morte. O apóstolo Paulo, na sua carta aos cristãos de Corinto (1 Co 15.19-20), escreveu: “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens. Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem.” E, em outra ocasião, agora escrevendo aos irmãos de Tessalônica (1 Ts 4.14), ele disse: “Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem.”

Sem exageros, sem idolatria nem outra heresia qualquer, mas com gravidade e respeito à memória dos mortos, vejamos o cemitério – também chamado de campo-santo, pelo que representa para as pessoas – como um jardim que ele é, onde repousam os restos mortais de nossos entes queridos. O cemitério, por tudo que significa para o ser humano, é lugar de sossego e leva à reflexão mais profunda. Eu vejo assim, não sei os outros. Nada há de errado em ir ao cemitério visitar o sepulcro de um ente querido. Repito.



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 13h55
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O discurso do paraninfo

Um dia – não faz muito tempo –, escrevi um discurso de paraninfo, a pedido de um amigo, que me procurou e me pediu que o fizesse. Foi interessante por duas coisas: a primeira é que eu não conhecia o paraninfo, nunca o vira antes. A segunda é que o discurso, a despeito de escrito com carinho, não foi apresentado, não foi lido.

Pois bem. Estava no meu gabinete, trabalhando normalmente, quando a secretária anunciou: “Doutor, o Sr. Fulano ...” Como não o conhecia, respondi, como normalmente faço em situações como essa: “Não sei nem quem é, mas pode mandar entrar.”

O homem entrou na sala e, ainda de pé, já foi me dizendo: “Doutor, nós nem nos conhecemos, mas eu admiro muito o senhor, pelos seus artigos. Acompanho, há anos, suas crônicas publicadas no Correio do Tocantins. O senhor escreve muito bem e é por isso que estou aqui.”

Muito feliz, obviamente, eu pedi a ele que se sentasse, para conversarmos, tendo ele me contado que ali estava porque fora escolhido paraninfo de uma turma de Pedagogia, e, como não sabia sequer como começar, queria que eu lhe escrevesse o discurso. Disse-me que me pagaria os honorários. Queria, porém, que fosse algo simples, muito simples, só algumas linhas.

Escrevi o discurso. E não lhe cobrei honorários. Para minha surpresa, contudo, encontrando-o recentemente no Banco do Brasil, agência da Cidade Nova, fui informado de que o substituíram como paraninfo e, por isso, o discurso não foi feito. “Certamente, acharam alguém com mais dinheiro”, disse-me ele. “Que coisa!”, digo eu agora.

Pois bem. Cassaram-lhe a palavra, mas eu aqui lha devolvo! Pena que não lhe possa aqui declinar o nome por não saber se ele iria gostar que o fizesse. Eis abaixo, pois, o discurso, a aula de humildade que eles perderam:

 

Senhores Graduandos em Pedagogia da Turma “...”

 

Recebi, com indizível alegria, o convite o honroso, gesto com que os senhores me prestaram a homenagem para mim toda especial de ser-lhes o paraninfo, ministrando-lhes, simbolicamente, a derradeira aula da graduação. Muito obrigado! 

A honra é muito grande e a minha alegria mais ainda. Quero, contudo, lhes dizer da minha incapacidade. Dizer o que aos senhores a esta altura? São professores e, com certeza, brilhantes professores! Que tenho eu para lhes ensinar, para lhes dizer? 

Quero, pois, confessada a minha incapacidade e expressada a minha humilde gratidão, tentar lhes deixar algo de lembrança para a vida profissional, que começa agora. Algo simples, mas é o que lhes posso oferecer e que consiste em três palavras: crença, ética, ação. 

Crença. Quero-lhes falar de crença, sim, porque isso é indispensável para um bom profissional da área de Ciências Humanas. Mas, crença em quê? Crença em quem? Crença no ser humano, na pessoa, no aluno, no pai, na mãe. Crença no ser humano, como algo que pode ser melhorado, aperfeiçoado e que também, em qualquer circunstância, tem muito para oferecer. Creiam nisso! Acreditem nisso ao longo de suas vidas, como pessoas e como profissionais da Educação. 

Ética. Quero-lhes falar de ética, embora de forma muito simples. Ética no agir, todos os dias de suas vidas, porque, sem ética, é impossível prestar um bom serviço; sem ética, é impossível educar; sem ética, é impossível servir e ser servido. Ética! Ética, em tudo e por tudo, senhores professores!

Ação. Quero-lhes falar de ação, porque não poderia deixar de fazê-lo. Sim, não poderia. Ação, tenham ação. Como diriam outros, tenham atitude! Ação é, como sabemos, o ato ou efeito de agir. Ajam! Ajam para o bem da Humanidade, acreditando no ser humano como instrumento de dar e receber, mas ajam com ética! 

Eis, pois, o que, profundamente agradecido, lhes tenho a oferecer! Eis aqui, sem pretensão de sapiência, a última lição. A vida profissional começa agora. Parabéns e muito obrigado!

 



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 16h56
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NOTA DE PESAR E SOLIDARIEDADE

Falo por mim, Valdinar Monteiro de Souza, advogado e ibapiano, mas não tenho dúvida de que meus colegas têm o mesmo sentimento e concordam plenamente comigo sobre este assunto. E o faço porque gosto de externar publicamente e deixar registrados meus sentimentos em situações especiais, sejam elas de alegria, sejam de tristeza e dor.

 

A comunidade jurídica brasileira e, notadamente, a intelectualidade da área de Direito Ambiental tiveram ontem, dia 30 de julho de 2014, uma perda irreparável, que entristece e deixa mais pobres a todos nós: a morte do Professor Doutor Vladimir Garcia Magalhães, do Programa de Mestrado e Doutorado da Universidade Católica de Santos (Unisantos)!

 

Dr. Vladimir Magalhães era biólogo e advogado, Coordenador-Geral da Associação dos Professores de Direito Ambiental do Brasil (APRODAB), desde 2012, e membro da Diretoria do Instituto Direito por um Planeta Verde e do Instituto Brasileiro de Advocacia Pública (IBAP), era formado pela Universidade de São Paulo (USP), pela qual cursou licenciatura plena em Biologia e, depois, a graduação, o mestrado e o doutorado em Direito.  

 

Conheci-o em Brasília (DF), no I Congresso Internacional de Direito Ambiental, realizado em dezembro de 2013, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e dele guardarei a lembrança de um grande companheiro, jovem estudioso, brincalhão, alegre e cheio de vida.

 

Aqui, pois, a minha solidariedade aos colegas e à família do Dr. Vladimir Garcia Magalhães, ante tão grande e inconsolável perda.

 

 

Marabá, Pará, Brasil, 31 de julho de 2014.

 

 

Valdinar Monteiro de Souza – OAB/PA 11.121

 

 

 

 

 

 



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 09h08
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