A IMPROBIDADE E AS DESIGUALDADES SOCIAIS
Uma das publicações que recebo regularmente como assinante é o jornal maçônico Liberdade e União, órgão de divulgação da Loja Maçônica “Liberdade e União” – n.º 1.158, de Goiânia, Estado de Goiás, do qual vim a saber por meio do ilustre irmão Innocêncio de Jesus Viégas, prócer da Maçonaria brasileira, membro da Academia Maçônica de Letras do Distrito Federal. A edição 201 (maio-junho de 2009) do Liberdade e União traz a crônica “Vazio Existencial”, de Valfredo Melo e Souza, jornalista, escritor e membro da Academia Maçônica de Letras do Distrito Federal, crônica da qual pincei estas palavras: “Acumulamos riquezas e não aproveitamos o tempo da melhor maneira possível, porque não levamos em consideração que o tempo passa. A vida continua, somos nós que não prosseguimos.” Pensando bem, é fato. São quase sempre materiais e muito mesquinhos os valores que as pessoas buscam na baixeza infame do egoísmo, a despeito dos rótulos, sobrepelizes e urdiduras sociais que enganam a todos e fazem se passar por pessoa de bem o mais desonesto e detestável dos embusteiros. Apesar da positivação do princípio da moralidade, com sua expressa inserção no texto da Constituição da República, o que prevalece no serviço público são os atos de prevaricação, de corrupção ativa e passiva, de improbidade. Com a palavra, para provar o contrário, o Senado Federal, que é a Câmara Alta do nosso Parlamento, conquanto seja baixo até demais muito do que acontece por lá. Para falar apenas de Brasil, milhões de pessoas vivem às raias da miséria absoluta em todos os sentidos porque alguns milhares vivem a malversar o dinheiro público, a solapar as instituições, a corromper os valores, a acumular, pelo bem e pelo mal, riquezas e mais riquezas que jamais serão levadas à sepultura ou à vida no porvir, do outro lado da existência humana. Muitos, é claro, nem acreditam na existência após a morte. Escândalos como o do Senado, um exemplo do que acontece pelo Brasil afora, mostram de forma inquestionável uma coisa e a outra. Não devemos, contudo, em hipótese alguma, nos calar diante deles, ainda que o nosso falar seja tão baixo e se pareça ineficaz pela sua insignificância. Há coisas mutáveis e coisas imutáveis, coisas que devem e coisas que não devem mudar. E aprendi do eminente grão-mestre adjunto da Grande Loja Maçônica do Pará, Wagner Spindola de Ataíde, em memorável sessão maçônica bem recente, que “as coisas que não mudam servem para nos mudar”. Oxalá cada pessoa de bem, maçom ou não maçom, crente ou não crente, cristão ou não cristão, faça a sua parte, sem se esquecer de que a vida aqui é mais do que efêmera. A vida será muito melhor com a redução real e eficaz das desigualdades sociais. Para que tão poucos com demasiadamente muito, em detrimento de muitos com demasiadamente pouco? A riqueza ilicitamente acumulada proporciona o prazer e a alegria passageira dos que a detêm, mas é, sem dúvida, uma das principais razões do sofrimento e da desgraça das demais pessoas.
Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 20h18
[]
[envie esta mensagem]

|