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Blog do Dr. Valdinar M. de Souza
 


A CRÔNICA E O BLOGUE

Prefiro a forma aportuguesada blogue à forma inglesa blog, e passei a adotá-la desde que a vi registrada no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, edição 2009, editado em Portugal. A prova disso são as palavras finais da crônica “Eu, as apostilas, o correio e o instituto”, que os jornais marabaenses fizeram questão de não publicar, mas foi publicada nos meus blogues, dia 2 de agosto de 2009, onde escrevi: “Para quem ainda não sabe, a forma aportuguesada blogue, da forma inglesa blog, é dicionarizada. Mas isso será assunto de outra crônica.”

 

Muito embora haja controvérsia, a palavra inglesa blog é uma redução de weblog, que significa diário eletrônico. De fato, escreva-se diariamente ou não, blogue é um diário escrito na rede mundial de comunicação por computadores, porque, sempre que nele se escreve, ficam registrados dia e horário. Rede mundial de computadores é, como sabemos, a expressão vernácula para o inglês internet (que, a meu ver, já deveria ter-se tornado internete). Com a palavra dicionaristas, filólogos, linguistas e gramáticos, para que se pronunciem ex cathedra. Não vejo, contudo, razão para dicionarizar blogue e não dicionarizar internete.

 

Mas, Inglês ou Português, o que importa são a liberdade e o poder que a coisa confere a todos os que apreciam escrever. Criei meu primeiro blogue em 30 de março de 2006 e não mais parei de escrever na internet. Antes publicava nos blogues o que escrevia com a intenção de ver publicado nos jornais. Agora, não: escrevo para os blogues e publico. Se sair nos jornais, tudo bem, uma vez que ainda há grande parcela da população sem acesso ao mundo virtual. Se, todavia, os jornais não publicam, como às vezes acontece, o problema é apenas dessa parcela de leitores dos jornais, os quais só terão oportunidade de ler quando forem publicadas em livro as crônicas dos blogues.

 

Desde há muito tempo, existem blogues para todos os gostos. E, apesar de em muitos deles (a maioria talvez, eu penso) grassar a baboseira, há muitos de conteúdo interessante. José Saramago, por exemplo, único escritor de língua portuguesa que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, tem um blogue e escreve nele com frequência. Mais do isso. Publicou recentemente, pela Companhia das Letras, O Caderno, um livro só de crônicas publicadas no blogue de setembro de 2008 a março de 2009. Eu o tenho, comprei em julho e estou terminando de ler. É muito bom. Aliás, ler O Caderno foi mais do que um incentivo para mim, que já pensava em publicar um livro com as crônicas dos blogues e jornais.

 

Por fim, registro que o escritor Deonísio da Silva, doutor em Letras pela Universidade de São Paulo e professor da Universidade Estácio de Sá, também prefere blogue a blog, como diz ele no texto “Visita ao blogue de José Saramago”, publicado em 11 de agosto de 2009, no Observatório da Imprensa:

 

“Blogue é palavra que veio do inglês weblog, onde estão embutidos os étimos web, rede, e log, registro, diário. Os dicionários brasileiros insistem em escrever blog, e não blogue, embora registrem blogueiro e bloguista. Em Portugal são aceitas as duas formas, blog e blogue, com preferência para a segunda, como faz o Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora.”

 

No parágrafo seguinte de seu texto, segue o doutor Deonísio:

 

“Escrevo blogue desde as primeiras vezes em que precisei da palavra na página semanal de etimologia que faço para a revista Caras e também em crônicas ou em outras colunas publicadas em jornais e na internet, inclusive neste Observatório da Imprensa e em meu próprio blogue. Com o tempo, todos escreveremos blogue. Aliás, foi isso que aconteceu com buldogue, que se escrevia bulldog, já uma junção das palavras do inglês: bull, touro, e dog, cachorro.”

 

Concordo plenamente com Deonísio da Silva, muito embora não saiba por que ele e o dicionário da Porto Editora não façam o mesmo em relação à palavra internet. É esperar para ver. Não tem sentido continuar escrevendo blog. Nem internet – eu penso.  

 

 



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 18h16
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