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Blog do Dr. Valdinar M. de Souza
 


TIJITICA, JITIRANA E TIJUPÁ

Tijitica, jitirana e tijupá são palavras que evocam minha adolescência e juventude na roça e, sobretudo, as figuras tão caras para mim do meu pai e do meu avô materno, único avô que conheci, ambos falecidos. Jitirana e tijupá são conhecidas desde a infância. Jitirana é uma trepadeira, um tipo de batata brava. Tijupá é uma edificação rústica, palhoça erguida no meio da roça. E tijitica? Bom, tijitica, um passarinho de que tomei conhecimento ao ler o conto “Abismo de rosas”, de Dalton Trevisan, entra aqui mais pelo jogo de palavras, mas não só por isso. É uma pequena ave (pequena ave é passarinho, óbvio) que – salvo engano, pois não sou ornitólogo – existe em alguns Estados do Sudeste (São Paulo, por exemplo).

 

Da jitirana, velha conhecida do lavrador da região, com ramas, folhas e flores muito parecidas com as da batata-de-purga, não tenho boas recordações. É muito difícil de capinar, de enxada ou de sacho (meu avô pronunciava chacho), pois suas ramas criam raízes e se pregam ao solo, gerando novos pés; seu leite enodoa a roupa e as mãos do trabalhador; e, como se não bastara, seu amontoado de ramas é o esconderijo preferido de cobras peçonhentas e não peçonhentas, como a jaracuçu, exemplo daquelas, e a jiboia, exemplo destas. A jitirana é, com efeito, tormento do agricultor da cultura de subsistência, como eram meu pai e meu avô: nasce sem semeadura, é difícil de capinar e cresce rapidamente, sufocando a cultura de arroz ou de feijão.

 

Já do tijupá, não: as recordações são boas. O tijupá é a sombra acolhedora, onde o trabalhador deixa a água de beber e os demais objetos. Quando não há tijupá, é necessário guardar a cabaça de água debaixo de qualquer moita, de preferência, moita de mofumbo, para que a água permaneça fria. É também o lugar da refeição, quando se almoça na roça, comum que é (pelo menos no meu tempo era) sair para a roça pela manhã e voltar somente à noite.

 

Lembro-me de que meu pai e meu avô (meus tios maternos também), logo após a queimada, faziam o tijupá (cada um em sua roça, claro), de madeira e palhas de babaçu, ou palhas de ubim. Seria o local de apoio na roça, desde o plantio até a colheita, bem como onde também ficariam guardados até a venda o arroz, o milho e outros produtos da lavoura colhidos.

 

Meu avô, o seu Zé Monteiro (José Monteiro da Silva era o seu nome completo), quando eu era criança, ficou viúvo e morava sozinho, no Canadá, zona rural de São Domingos do Araguaia. Saía para a roça bem cedinho, levando um litro de café, que tomaria frio (não era garrafa térmica) ao longo do dia, no tijupá. Depois, se casou com dona Maria, sua mulher e fiel companheira pelo resto da vida. Com o casamento, a vida dele melhorou: dona Maria fazia almoço e levava para ele, na roça, que almoçava na sombra do tijupá.

 

São algumas lembranças de um filho da agricultura de subsistência. Se fora filho da agropecuária, as lembranças seriam outras. O pobre e o rico da zona rural também são diferentes entre si, tanto pelo que pensam quanto pelo que defendem e vivem. Aliás, pobre vive na real acepção da palavra? Claro que não. Pobre não vive: germina, vegeta e morre.

 

E a tijitica?  Bom... A tijitica... A tijitica persegue o pardal. Alguém duvida? Pois, seu moço, não duvide não! Já vi andorinhas que perseguem tucano. E o fazem com “expressão obscena de gozo” (tomando emprestado aqui outras palavras de Dalton Trevisan). Meu caro leitor, vou-lhe dizer uma coisa na qual acredito piamente: "Nem sempre bandido é bandido e nem sempre polícia é polícia. Tudo depende das testemunhas e de quem é o escrivão de plantão na delegacia da História", como escreveu Affonso Romano de Sant’Anna.



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 12h59
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LINHA DIRETA COM ANA MIRANDA

Sou admirador da escritora cearense Ana Miranda, cujas crônicas leio desde 1997, quando foi lançada a revista Caros Amigos, que leio e coleciono desde a edição n.º 1. Tomei conhecimento da revista, lá pelo seu terceiro ou quarto número, por meio do Celso Caciano da Silva, meu colega de trabalho no então Departamento de Apoio ao Discente (DAD), hoje Secretaria de Apoio ao Discente (SAD), do campus da Universidade Federal do Pará (UFPA) de Marabá. Éramos, ambos, acadêmicos. Ele, de Matemática; eu, de Direito.

O Celso era amigo do Robério, acadêmico de História, que lhe falou da revista. Até hoje, eu e o Robério, a quem de vez em quando vejo na banca do Edvan, somos leitores da revista. O Celso, não sei. Perdi o contato com ele, por enquanto. Creio que anda cursando pós-graduação (mestrado ou doutorado) por este Brasil afora.

Quando pego a revista, leio logo a crônica da Ana Miranda e a do frei Betto, não necessariamente nessa ordem. Depois é que leio as outras partes, como o artigo da Marilene Felinto, por exemplo. Pois bem. Hoje, como assinante, recebi o n.º 148 (julho de 2009) da revista e, após ler a crônica "O pequeno piloto", enviei a seguinte mensagem à autora, que ora compatilho com meus leitores do blog, uma das muitas vantagens e coisas boas que a tecnologia nos proporciona a todos ou, melhor dizendo, a quase todos:

"Querida Ana Miranda:

Terminei de ler sua crônica “O pequeno piloto”, publicada na revista Caros Amigos n.º 148 (julho de 2009). Belamente bela como as demais que já foram publicadas na revista ao longo dos anos. Sou leitor assíduo de suas crônicas, na Caros Amigos, que leio e coleciono desde o n.º 1, e no livro Deus-dará, que as publicou posteriormente. Gosto de todas elas, mas tenho relido inúmeras vezes “Minha biblioteca” e “O leitor”. Já perdi a conta de quantas vezes reli a crônica “Minha biblioteca”, com que me identifico muito.

Para que você tenha uma ideia, um dia, após uma das muitas releituras, chamei minha mulher, a Prof.ª Câmelha Pereira dos Santos Souza, à minha sala de estudos em casa e, cheio de entusiasmo, li para ela, bem alto, “Minha biblioteca”. Quando, emocionado, terminei a leitura, ela me disse, também muito emocionada: “Se você ler isso para mim outra vez, eu vou chorar, pois esta a segunda vez que você me lê esse texto.” Entendeu, Ana? Minha admiração pela crônica é tão grande que me fez esquecer de que já a tinha lido para ela algum tempo antes. 

Ana, sou apaixonado por você, porque você é 10! Sim, você é 10 laude cum maxima, 10 com louvor! Parabéns, querida! E, como apaixonado, na acepção sadia da palavra, já falei de você nas crônicas que publico nos jornais marabaenses Correio do Tocantins e Opinião, bem como nos meus blogs (http://valdinar.zip.net, http://valdinar.blogspot.com e http://vms.uniblog.com.br). Só não li seus romances, que ainda não adquiri. Mas hei de ainda o fazer (comprar e ler). É só uma questão de tempo.

Pois bem. Hoje fiquei muito alegre porque a Caros Amigos publicou, ao pé da crônica, o seu e-mail, o que me permitiu dizer-lhe (virtual, mas diretamente), por esta mensagem, da minha admiração.

 Um abraço todo especial.

 

Valdinar Monteiro de Souza.’. "

O meu abraço todo especial para você também, querida leitora e querido leitor, que são a razão maior do meu escrever.

 



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 19h13
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