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Blog do Dr. Valdinar M. de Souza
 


LABILIDADE

Tornei-me emocionalmente lábil depois da cardiopatia por que fui acometido: tenho alternados estados de ânimo, com mais frequência do que se possa imaginar. Da alegria, euforia e esperança passo, sem razão aparente nem justificativa, para o desânimo, apatia e desesperança. Venho, há meses, lutando contra isso, daí o motivo de escrever esta crônica, compartilhando com o leitor minha labilidade. Há de ser útil, para mim e para ele. Quando menos, quem ainda não conhecia passará a conhecer esta acepção de duas novas palavras: lábil e labilidade. Recomendo que consulte um bom dicionário e conheça os significados que elas têm diferentes do que ora emprego. Com efeito, muita gente boa por aí é lábil e não sabe.

 

Sei que alguns (muitos até, quem sabe?) poderão criticar-me, tachando-me o ato de besteira, futilidade ou coisa que o valha, mas isso não importa. Não me acabrunho nem me demovo do meu intento, porque o reputo da mais alta dignidade. O que me importa é saber que, conquanto haja os que não gostam, também há os que gostam do que escrevo. É para estes e não para aqueles que o faço, com alegria renovada dia a dia, a despeito da labilidade ora denunciada. Para mim, são de valor inestimável as manifestações de carinho que recebo do leitor, seja pessoalmente, nas ruas, no trabalho e em outros ambientes, seja virtualmente, pela rede mundial de computadores. Isso me basta.

 

Um dia desses, conversando com um amigo, tomei conhecimento de que alguns me consideram boçal, e até chegam a discutir isso nos botecos marabaenses por aí afora. Lembrei-me do “Manifesto aos lúcidos”, que escrevi quando ainda estava na universidade. Displicuit nasus meus!  (o meu nariz desagradou!)... Caramba, eu não sabia!... Fiquei momentaneamente desapontado, mas pensei logo: é assunto para escrever uma bela crônica. Nada melhor do que transformar em doce limonada os limões azedos que a vida nos oferece.

 

Depois, fiquei pensando sobre o assunto e acometeu-me a dúvida – e dúvida cruel – que agora compartilho com o leitor: será que os que assim pensam a meu respeito, se, em vez de falar, tivessem de escrever, escreveriam “boçal” ou “bossal”? Sei lá!... Também nem quero saber. Só aviso que (não deveria fazê-lo, mas o faço) “bossal”, com dois ss em vez de ç, até pode ser escrito, mas não existe! Salvo raríssimas exceções, quem me critica nem sequer sabe a diferença entre taxar e tachar. A crítica esposada na boa razão pode e deve ser feita, que será sempre bem-vinda; a crítica insipiente, abusada e desarrazoada, não!

 

É a vida. Deixemos, portanto, a vida nos levar! Se é que sou boçal ou antipático, não o sou por querer, isso posso garantir. Até me esforço por ser agradável a quem me lê e convive comigo. Sei, contudo, que (não é demais relembrar) é tolice de quem quer que seja querer agradar a todas as pessoas. Ninguém o conseguiu até hoje (nem o Cristo de Deus, que não tinha pecado algum), por que haveria eu, pecador miserável, de o conseguir?  O só fato de Cristo não ter pecado já foi o suficiente para que desagradasse a muitos.

 

Sou homem e, por isso, um ser imperfeito. Procuro, contudo, não ser hipócrita, nem omisso, nem covarde. Também ouso, ainda que, às vezes, cansado e desanimado, cobrar meus direitos e até defender direitos alheios, o que, sem dúvida, é a fonte do desagrado de muitos dos meus opositores e desafetos, quase sempre gratuitos. Fazer o quê?... Sou advogado e aprendi no Direito Penal que, para defender meu direito ou o de outrem, quando injustamente agredido ou ameaçado de agressão, posso até matar, se preciso for, que não será crime. Diante da agressão injusta, de ninguém deve ser exigida a fuga. Ninguém está obrigado ao commodus discessus. Letra e espírito da lei, convicção do cidadão e do advogado. Azar do agressor!   



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 18h29
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