SUCESSÃO POR ESTIRPE
Gosto de impor ao papel, transformando em crônica, acontecimentos do meu dia-a-dia: visitas a amigos e coisas conversadas com eles, atendimento profissional, alegrias e aborrecimentos. Crônica, na melhor definição, é isso. É explorar o lado pitoresco dos acontecimentos banais e apreciar o que há de mais belo e amável nas coisas simples. Escrever crônica é tirar assunto de onde, aparentemente, não há. O cronista, amado ou detestado, vê o que os outros (os normais, quem sabe?) não vêem e por isso ignoram. Sei que dizer ou escrever isso já está batido, mas ninguém pode tirar-me o direito de fazê-lo. Outros o disseram ou escreveram. Por que, então, não poderia eu dizer ou escrever?
Para mim é sempre bom e agradável começar o dia contemplando a beleza das árvores da Praça Duque de Caxias, a sombra saudável, gostosa e acolhedora dos pés de oiti e pés de manga, o frescor incomparável da natureza, não obstante as influências maléficas da transformação que lhe foi imposta pelo homem no decorrer dos anos.
Começar o dia passando pela Praça Duque de Caxias, para mim, é um deleite. É por isso que, morando no bairro das Laranjeiras, venho a Marabá todos os dias, com exceção dos domingos, para ver a praça e conversar com meus amigos, o Moura, o Ronaldo, o Edvan, e, às vezes, o Zé Maria Gurgel e o Dr. Sebastião de Jesus Souza Castro, o Degas. E os irmãos Lúcio Virgínio Ribeiro e Joaninha, sua mulher, que moram na Rua 5 de Abril.
O Moura foi servidor da Câmara Municipal e hoje trabalha no Banco do Estado do Pará; o Ronaldo é servidor municipal e marido da Edna, uma professora amiga da minha mulher, a Câmelha, que também é professora; o Edvan é proprietário da banca de revistas e jornais; Zé Maria Gurgel é meu admirável irmão da Loja Maçônica “Firmeza e Humanidade Marabaense”, a qual, aliás, é uma das imponentes belezas da Praça Duque de Caxias; o Degas é procurador jurídico-legislativo da Câmara Municipal de Marabá, como eu. São todos eles pessoas da minha estima, como da minha estima é a praça, com suas árvores, aves, instituições bancárias e comerciais, e transeuntes. Estes, os transeuntes, não raro, podem ser maus e oferecer perigo; as árvores, as aves e as edificações, não.
Abrindo e fechando parênteses, antes que me esqueça, servidor público, na linguagem jurídica, é o mesmo que trabalhador público, ou seja, empregado ou funcionário público. Aliás, do ponto de vista jurídico, empregado público e funcionário não se confundem, porque são coisas diferentes. Mas isso é outra história, assunto para outra ocasião.
Outra coisa. Na praça Duque de Caxias, é feito, uma vez por semana, o edificante trabalho evangélico da Igreja Evangélica Assembléia de Deus, pelo meu zeloso e admirável irmão Sidney e sua equipe, com suas Bíblias, harpas, caixas e equipamentos de som. É palavra boa, temperada, agradável e edificante, a qual, tenho certeza absoluta, tem rendido bons frutos, para a glória de Deus e o bem dos homens. Como diz a doutrina da minha amada Igreja Presbiteriana do Brasil, o fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.
Aliás, falar sobre a finalidade ou fim principal do homem sempre me traz à lembrança o Immanuel Kant, conhecido como o filósofo das três críticas, porque lucubrou durante anos e anos sobre a indagação “que é o homem?” e outras perguntas em que a desdobrava. O resultado desse longo lucubrar filosófico foi a publicação dos livros Crítica da Razão Pura, Crítica da Razão Prática e Crítica do Juízo, legado maior do estudioso filósofo alemão para a Humanidade.
Puxa vida, foram-se o tempo e espaço de que dispunha para escrever hoje. Mas crônica, para mim, é isso mesmo. Uns gostam desse meu estilo, outros não. Fico com os que gostam. Comecei a crônica pensando em escrever sobre a sucessão por estirpe, de trata o artigo 1.835 do Código Civil quando diz: “Na linha descendente, os filhos sucedem por cabeça, e os outros descendentes, por cabeça ou por estirpe, conforme se achem ou não no mesmo grau.”
Comecei a crônica motivado pela consulta que me fez um amigo, hoje cedo, na porta da Câmara Municipal. Conversei muito, enveredei propositadamente por outros caminhos e não deu. Voltarei ao assunto em outra ocasião, pois o Direito das Sucessões é um dos muitos capítulos apaixonantes do Direito Civil. Desta vez, prometo ao leitor e cumprirei. É aguardar para ver.
Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 12h43
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