Marabá (PA), 14 de dezembro de 2007.
Ilmo. Sr.
MASCARENHAS CARVALHO
Editor-Geral do Jornal “Correio do Tocantins”
Nesta.
Senhor Editor:
Parabéns ao jornal e ao cronista pela tão bela e não menos verdadeira crônica “Vou Embora de Marabá!”, de Erivaldo Santis, advogado criminalista de Marabá, publicada na edição 1.691 (14 a 17 de dezembro de 2007). Nota 10! O autor expressou, com ironia e elegância no mais profundo significado dessas palavras, o desconforto e descontentamento dos advogados, diante das coisas desagradáveis que ocorrem diariamente no fórum de Marabá, na relação entre juízes, serventuários da justiça e promotores de justiça, de um lado, e os advogados e seus constituintes, do outro. Arrogância, falta de urbanidade, desrespeito, são palavras que, com freqüência, se mostram insuficientes para expressar o que, não raro, acontece de ruim nesse relacionamento, quase todos os dias, se não todos.
Um exemplo. Há juiz que, ao fracassar uma tentativa de composição civil no Juizado Especial Criminal, diz, com arrogância, que se “sente na liberdade” de afirmar que as partes, por não aceitarem a proposta de composição civil e optarem pelo prosseguimento do processo conforme a lei, “estão financiando o crime organizado”, “estão financiando a improbidade administrativa”, razão pela qual ele, magistrado, recomenda que as partes peguem, cada uma, um revólver e resolvam a questão como “filhos de Marabá”.
Marabá, em termos de funcionamento do Estado, é, de fato, sem igual: saúde, segurança, educação e tudo mais funciona às mil maravilhas. Só não me vou embora juntamente com meu colega Erivaldo Santis, porque, como afirma ele no pós-escrito de sua crônica, um dia Marabá poderá deixar de funcionar tão bem assim como funciona e virar um inferno. Aí, sim, advogados, juízes, promotores de justiça, serventuários da justiça, policiais (e políticos) terão algo que fazer. Por enquanto, não. Os pouquíssimos crimes que, por exemplo, acontecem são apurados pela Polícia Judiciária com presteza nunca vista e, com maior presteza ainda, julgados pelo Poder Judiciário. Isso aqui é o Paraíso! Isso aqui funciona, contribuinte!
VALDINAR MONTEIRO DE SOUZA
Advogado
OAB-PA 11.121 – AASP 133255