Horário, um dos meus problemas
O cumprimento de compromissos diversos, a participação em eventos e coisas que o valham têm sido, ao longo da vida, um problema para mim, simplesmente porque acredito nos horários marcados. Se disser que é às 8h00, jamais pensarei que será às 8h05. E não gosto de me atrasar em situação alguma. Deixo de participar, mas não chego atrasado, salvo real motivo de caso fortuito ou de força maior.
Isso, muitas vezes, tem sido problema. As pessoas (a começar por minha mulher e salvo honrosas exceções) em vez de me elogiarem a pontualidade ou, pelo menos, reconhecerem que estou certo, me criticam. E, o que é pior, quase sempre o fazem severa e até asperamente. Não raro, há até quem se atreva a me dizer que é assim mesmo e que eu preciso mudar. Minha mulher, por exemplo, no uso da liberdade e da autoridade de esposa, já me disse muitas vezes que preciso mudar esse modo de pensar e de agir.
Desisto por pensar que não adiantaria chegar atrasado e, freqüentemente, para tristeza e aborrecimento, depois fico sabendo que o jantar marcado para as 8h30 da noite só começou às 9h00, quando não às 9h30. A reunião começou (“como de costume”, quase sempre o dizem para me lembrar) com meia hora ou uma hora de atraso. A viagem marcada para as 8h00 só iniciou às 8h30 ou às 9h00, 9h30. E assim por diante.
Há vezes em que seria apenas incorreto chegar atrasado; noutras, contudo, não adiantaria mesmo. Que aproveitaria a alguém, por exemplo, chegar ao aeroporto e ver que já voa o avião em que viajaria ou, ainda, ao terminal rodoviário e ver que o ônibus que tomaria já partiu? Com efeito, serviria somente para lhe aumentar a frustração e o desgosto de perder a viagem, além de todo o esforço despendido para chegar ao terminal rodoviário ou ao aeroporto!
Já desisti de alguns compromissos ou eventos, por pensar que, ante o horário combinado, estava atrasado. E depois, com tristeza, fiquei sabendo que, se não tivesse desistido, não teria chegado atrasado, uma vez que o horário marcado não era para valer: fora marcado para a hora x em vez da hora y apenas porque as pessoas sempre se atrasam.
Isso muito me irrita e desaponta, mas sou burro mesmo: tenho 47 anos de idade e ainda não aprendi a chegar atrasado, seja para o jantar, seja para tomar o avião, seja para o que for. Sempre me esqueço de que os horários não são marcados para valer: marca-se para as 7h00 em vez das 8, porque as pessoas “sempre se atrasam mesmo”. Para mim (e os demais tolos como eu, que – tenho certeza – no mundo são muitos), não! Se disser que é às 6 horas, são 6 horas e pronto: salvo o caso fortuito ou a força maior, não vou chegar às 6 horas e 5, 10, 15 ou mais minutos. E, como o caso fortuito ou a força maior não acontecem todo dia, de vez em quando temos problemas.
Ainda não me acostumei nem quero me acostumar com isso. Mas, fazer o quê? Mudar o mundo? Não. Sei que isso é impossível e, certamente, muitos pensam que há coisas mais importantes para se fazer. Tento, contudo, influenciar quem está ao meu redor e pensa diferente. Que me seja permitido pedir que me aceitem e me perdoem os que insistem em não mudar!
Ah!... Que é o caso fortuito e que é a força maior? A explicação será objeto de outra crônica. Por favor, aguardem os leitores que porventura não o sabem. E, querendo, me cobrem.
Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 13h41
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