Sexta-feira, dia 19 de janeiro de 2007, pela manhã, recebi, na Procuradoria Jurídico-Legislativa da Câmara Municipal de Marabá, a visita agradável do Professor Doutor Gutemberg Guerra, coordenador do mestrado do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Pará (UFPA). No dia anterior, à noite, fora o lançamento do livro O Rural e o Urbano na Amazônia: diferentes olhares em perspectivas, organizado por Ana Cláudia Duarte Cardoso, e publicado pela Editora da Universidade Federal do Pará (EDUFPA), obra da qual o Professor Gutemberg escreveu um capítulo.
A visita foi muito boa, a despeito de ele estar apressado, por ter de regressar a Belém naquele dia, após certo período a ministrar aulas no campus da UFPA de Marabá. Conversamos bastante. Apresentei-o aos colegas, mostrei-lhe as dependências da casa. E ele – homem culto, de fino trato, educadíssimo – ficou mais uma vez maravilhado com as obras de arte de autores da terra de Francisco Coelho: Morbach e Rildo Brasil. Ele aprecia o belo e tem competência para fazê-lo: é Ph. D., Philosophiae Doctor, homem de letras, pesquisador incansável e cronista de nomeada, que sabe amar Marabá e sua gente, do que são prova incontestável suas belas crônicas publicadas pelo Correio do Tocantins.
Da amável e proveitosa conversa, além dos ricos conselhos que recebi sobre meus sonhos de mestrado e doutorado, restou-nos a conclusão de que Marabá é muita rica, mas pouco assistida, pouco conhecida, pouco divulgada e (sem dúvida) menos amada do que deveria ser, com o realce de caber a cada indivíduo de todos os segmentos a responsabilidade por mudar essa situação.
Ele, como gosta de fazer em nossas conversas, lembrou-me de nossa responsabilidade, como cronistas, de registrar para a posterioridade o que vemos e vivemos desta linda e acolhedora cidade, escrevendo e descrevendo-a (com o realçar de suas necessidades, riquezas e valores) nos veículos locais e nacionais. E para isso, como diz ele sempre, a página 2 do jornal Correio do Tocantins deve ser transformada no grande fórum de debates dos intelectuais da terra.
Na dedicatória do meu exemplar, a expressão de sua bondade e carinho para com este humilde cronista, que, com alegria, já priva de sua amizade: “Caríssimo Valdinar: O Rural e o Urbano na Amazônia: diferentes olhares em perspectivas está também nos teus escritos publicados nos veículos locais e nacionais. Com um abraço fraterno, de Gutemberg Guerra.” Inegável, como aí se vê, é a bondade franciscana do amigo escritor, elogio e reconhecimento que se traduzem, ao mesmo tempo, em galhardia de incentivo e elegância de chamado à responsabilidade.
Do livro, que ainda não pude ler, muito boa a primeira impressão que tive (e dizem que a primeira impressão é que fica). Haverei de fazer uma leitura com vagar, aproveitando o máximo que me for possível, tendo sempre em mente que é perfeitamente possível haver plena interação entre o campo e a cidade, o rural e o urbano, a despeito da inolvidável distinção que os distingue.
Urge saber distinguir sem separar o campo da cidade, como se devem distinguir sem separar as demais coisas; não é bom nem necessário estremá-los, notadamente do ponto de vista da ação do intelectual e do homem de Estado. “Ao homem afoito e de pouca cultura basta perceber uma diferença entre dois seres para, imediatamente, extremá-los um do outro, mas os mais experientes sabem a arte de distinguir sem separar, a não ser que haja razões essenciais que justifiquem a contraposição”, escreveu o saudoso Professor Miguel Reale, da Universidade de São Paulo, grande jurista e filósofo criador da teoria tridimensional do Direito.
Sexta-feira próxima, dia 26, haverá o lançamento de outro livro no campus da UFPA. Desta vez será o livro do Professor Wilson Rodrigues Ataíde Júnior, do Centro de Ciências de Jurídicas, um dos brilhantes professores que tive no curso de Direito, no caso o da cadeira de Direito Constitucional. É, sem dúvida, mais uma importante ação da Universidade em prol da reclamada mudança da situação. Pelo título se vê: Os Direitos Humanos e a Questão Agrária no Brasil. É ler para conferir e – aceitos os desafios – agir.