Esotérico demais: fim da picada!
Mudei o título e o endereço do meu blog. Melhor dizendo, criei outro blog, com título e endereço diferentes, uma vez que não consegui alterar o nome deste [http://adv.vms.zip.net], que é esquisito, segundo comentário do Ademir Braz. “Teus trabalhos são, como sempre, ótimos: fundamentados, estimulantes. Teriam melhor rendimento e (creio) alcançariam mais leitores se tivessem um nome menos esotérico: adv.vms é o fim da picada! Muda para algo mais transparente (que não chegue a telhado de vidro, por causa das pedradas, eh eh eh) ‘Armagedon, imprensa livre, ponto de vista’, qualquer coisa assim” – escreveu ele no comentário. E, sendo o Ademir meu amigo, colega de profissão e irmão, resolvi pensar no assunto. E mudei.
Poderia ter acatado uma das sugestões dele ou escolhido nome diferente. Não o fiz, contudo, porque preferi dar um toque pessoal à coisa e, além disso, homenagear a escolha feita pelo meu velho pai, há cerca de quarenta e seis anos e alguns meses, quando em 1960 resolveu batizar-me Valdinar.
O novo endereço é http://valdinar.zip.net. Penso que ficou melhor. A não ser que o malandro do Ademir Braz, meu mano velho do coração, continue a achar esotérico. Aí a culpa será dos meus pais, seu João Belizário de Souza e dona Antônia Monteiro de Souza, pois, quando nasci, meu pai resolveu homenagear um amigo dele de nome Valdinar, e minha mãe aceitou. Fiquei sendo Valdinar. Se já tivesse discernimento à época da escolha do nome, talvez houvesse protestado, ainda que ineficazmente ou sem muito resultado, como, ineficazmente e sem muito resultado, protestou o Tiririca: “João, não, mamãe!/ João, não, mamãe!/ [...] Zé, sim, mamãe!/ Zé, sim, mamãe!”.
Anos depois (vinte anos depois, para ser mais preciso), minha professora de datilografia, lá em São Domingos do Araguaia, dona Rita Célia de Sena, amaria, como amou, essa escolha. Ela gostava de mim, porque me achava muito inteligente e porque eu tinha o mesmo nome de um sobrinho dela, muito querido, que ficara no Ceará: Valdinar. Ela tanto gostava de mim que me deixava fazer o que bem queria nas aulas de datilografia, daí o resultado: fiquei catilógrafo. A despeito de eu, à época, já ser um marmanjo, ela se esqueceu de que quem ama corrige.
Ah, que saudade da Rita Célia de Sena e da Anelita Barbosa Crisóstomo, minha professora da quarta série, primeiro ano em que estudei na escola! Porque me foi negado pela pobreza dos meus pais o direito de estudar regularmente, Anelita foi minha primeira professora, na escola pública, quando já tinha dezesseis anos de idade e fui estudar a quarta série do primeiro grau, hoje ensino fundamental. Aprendera ler e escrever em casa, seis anos antes, quando meu pai pagara a um homem, durante oito meses, para ensinar a mim e a meus irmãos, José e Raimundo, mais novos do que eu. Ele, seu Rossi Francisco Barros, chegou a nossa casa, em um lugar chamado Canadá, zona rural de São do Domingos do Araguaia, em 1970, como que por acaso. Ia passando, encostou para pedir água e por fim, conversa vai conversa vem, resolveu atender ao convite de meu pai: morar em nossa casa e ensinar ler e escrever às crianças da região.
Rossi fora trabalhador de castanhal, nos anos 60, aqui em Marabá, mas era alcoólatra. Embriagava-se tão logo chegava à cidade, após meses na mata, e só voltava a ficar sóbrio quando alguém o levava embora para as fazendas ou castanhais. Foi com minha família para São Geraldo do Araguaia em 1971 e, como lá nos deixou em 1973 e voltou para Marabá algum tempo depois, perdemos o contato com ele. E nunca mais. Não sabemos o que lhe aconteceu nem se ainda vive.
Rossi, como tantas outras crianças do seu e do nosso tempo, foi vítima da pobreza e da insensatez. Também, como tantas outras crianças do seu e do nosso tempo, foi criado sem pai e, a despeito de heroicamente ter logrado se tornar adulto, caiu prisioneiro da exploração capitalista, que nunca lhe pagou devidamente pela força de trabalho, único bem e meio de subsistência que possuía. Daí, não há dúvida, o afundar-se perdidamente na cachaça, buscando nela, desoladamente, refúgio e consolo para a vida atribulada que levava.
Alfabetizado não sei por quem, era inteligentíssimo e tinha a letra muito bonita. Foram-lhe, todavia, negados pela condição miserável de que era filho o direito básico de estudar e outras coisas da vida. Não seguiu os estudos, não se casou, não teve mulher, não teve filhos! Pobre do seu Rossi! Bem diz Rubem Alves, na crônica Os super-heróis: “quem foi feito para ser herói não sabe fazer amor”.
Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 15h07
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Mensagem de Gratidão
Deus, meu Senhor e Pai, seja louvado! “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum dos seus benefícios” (Sl 103.1-2).
Blog de Valdinar Monteiro de Souza, bacharel em Direito pela Universidade Federal do Pará - Campus de Marabá, advogado, procurador jurídico-legislativo da Câmara Municipal de Marabá, Estado do Pará, e-mails vms.pb@bol.com.br, dr.valdinar@bol.com.br, dr.valdinar@gmail.com, adv.vms@uol.com.br e adv.vms@bol.com.br. Evangélico (Igreja Presbiteriana do Brasil), casado com a pedagoga Câmelha Pereira dos Santos Souza, pai do Douglas (19 anos), do Daniel (9 anos) e do Samuel (1 ano e 7 meses).
Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 10h09
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