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Blog do Dr. Valdinar M. de Souza
 


A RELEITURA DE O RUBAIYAT

Acabei de reler O Rubaiyat, de Omar Khayyam, na tradução de Manuel Bandeira, obra que, dentre outras, recebi como brinde da Ediouro, em 1988 ou 1989, não sei ao certo. Na realidade, a releitura não foi de toda a obra, foi apenas da parte final, pois antes, por várias vezes, iniciara e abandonara a leitura. Desta vez, não: li a obra toda, que tem 170 pequenos poemas, todos eles, curiosamente, sem título.

São poemas filosóficos. Aliás, como ensina Manuel Bandeira, rubáyyát é o plural de rubay, que, em persa, quer dizer quadra. É gostoso de ler pelo cunho clássico de sabedoria; os versos da tradução de Bandeira, porém, não têm rima. Indisposição ou uma vontade mal-agradecida me impede momentaneamente de fazer uma análise e comentários mais profundos.

É um livro indicado pela própria editora para os cursos de Filosofia, Teologia, Sociologia, Letras, Comunicação e História e, do princípio ao fim, se caracteriza pelo agnosticismo, imediatismo e hedonismo intransigentes do poeta, que, em síntese, advoga o desapego ao saber, às coisas materiais (espirituais também), regado a bom vinho degustado na companhia de bonitas mulheres.

No poema 150, por exemplo, que é composto de duas quadras, um registro bem típico da filosofia agnóstica: “Aprendi muito, esqueci muito./ Também, e por vontade própria./ Em minha mente cada coisa/ Estava sempre em seu lugar./ Não cheguei à paz senão quando/ Tudo rejeitei com desprezo./ Compreendera enfim que é impossível/ Tanto afirmar como negar.”

E, no poema 164, esta amostra eloquente de agnosticismo mesclado de hedonismo antirreligioso: “Pobre homem, nunca saberás/ Nada; jamais explicarás/ Um só dos mistérios do mundo./ E já que as religiões prometem/ Depois da morte o Paraíso,/ Busca tu mesmo criar um/ Para teu gozo aqui na Terra,/ Pois o outro talvez não exista.”

Por fim, para mostrar a diversidade do seu pensamento, o rubay 165: “Lâmpadas que se apagam, esperanças/ Que se acendem: aurora./ Lâmpadas que se acendem, esperanças/ Que se apagaram: noite.”

Isso aí, todavia, é apenas pequena amostra do pensamento de Omar Khayyam, que, paradoxalmente, é a um só tempo lúcido e louco, altruísta e egoísta, dentre outras de suas idiossincrasias que, a meu ver, se negam e contradizem mutuamente. Paga a pena ler e reler. É clássico e deslumbrante! Eu, pelo menos, assim o vejo. Gostei! Sou advogado e prezo o contraditório, o paradoxo, as aporias.

Concluído O Rubaiyat, o próximo será Odes de Anacreonte, na tradução de Almeida Cousin, outro clássico que, há muitos anos, recebi como brinde da Ediouro e cuja leitura iniciei e parei várias vezes. Na mesma fila de leituras iniciadas e abandonadas, sem dó nem sobrosso nem justificativa que não a minha impulsividade, estão Almoço Nu, de William S. Burroughs, e Parte de Minha Alma, de Winnie Mandella.



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 18h38
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A COR DO SANGUE, A COR DA VIDA, A COR DA PAIXÃO

       

Peguei uma carona com Moacyr Scliar, na leitura cotidiana do site da Academia Brasileira de Letras e, para dar título a minha crônica, tirei do seu conto “A guerra das rosas” as expressões “a cor do sangue, a cor da vida, a cor da paixão”. Sangue é vida, vida é paixão e paixão é vida, como vida também é sangue. Pelo menos eu penso assim, pois, sonhador insensato talvez, sempre ponho, apaixonadamente, alma e coração em tudo o que faço e que vivo.

Talvez porque meu conceito de paixão seja diferente, gosto muito dessa palavra, de seus cognatos e derivados. Tenho paixão por muitas coisas, pessoas, lugares e instituições. Paixão interesseira? Às vezes sim, às vezes não. Correspondida? Às vezes sim, às vezes não. Paixão, na boa acepção, como é do meu costume dizer, se é que existe a acepção má, pois o mal está mesmo é na mente e no coração das pessoas.

Faço, a propósito, uma citação de Umberto Eco, tirada de seu artigo “A arte perdida da caligrafia”, que li na versão eletrônica da Revista Cultura, edição 28 (novembro de 2009), onde ele diz belamente: “As pessoas não viajam mais a cavalo, mas algumas fazem aulas de equitação; existem iates motorizados, mas muita gente é tão devotada à arte de velejar quanto os fenícios de três mil anos atrás; há túneis e ferrovias, mas muitos ainda apreciam caminhar a pé por passagens alpinas; há pessoas que colecionam selos na era do e-mail; e exércitos vão à guerra com rifles Kalashnikovs, mas também organizamos pacíficos torneios de esgrima.”

Isso aí tudo é, para mim, exemplo de paixão. Também de vida, de sangue e de morte. Pode haver paixão mais intensa que a que leva os homens à guerra? Pode haver mais sangue (acompanhado da morte, porque derramado, infelizmente) que na guerra? É má a paixão que faz guerrear? Haveria guerra justa? Sei lá! Depende do contexto e da perspectiva, pois, como já se disse, com sabedoria, “o mesmo cubo pode servir de pretexto para efeitos de sombra e de luz”.

Sou apaixonado pelo meu passado, pelos meus amigos e amigas, pelas coisas boas e belas da vida, dentre as quais sempre faço questão de ressaltar a mulher, a fêmea (com profundo respeito e carinho o digo). Aliás, ao pudibundo ou à pudibunda, que cora ao ler o que escrevo ou ao me ouvir dizer “fêmea”, lembro que Jesus Cristo, sem ser pecador e, muito menos ainda, o devasso presunçoso que alguém pode julgar que eu seja, disse nos Evangelhos de Mateus e de Lucas, a respeito do homem e da mulher, que Deus ou o Criador “os fez macho e fêmea”.

Tenho paixão pelo passado, meu e dos meus amigos, sem negligenciar o presente, o que, com efeito, me faz sofrer diante de frases como esta, recebida por e-mail, de uma amiga a quem sempre admirei muito: “O casamento acabou e por isso cada um deu o rumo que quis dar para sua vida.” Ele se casou novamente. Ela continua solteira, certamente por opção, pois é muito linda, elegante, inteligente, bem-educada.

Situações e decisões como essa devem ser respeitadas, notadamente por quem se diz amigo, mas não deixam de me fazer sofrer, porque me provam cruelmente a falibilidade do homem e dos seus projetos. Pode haver projeto mais lindo e mais auspicioso do que o casamento? Não, não pode. Mas, ainda assim, todos os dias casamentos se acabam e esperanças são malogradas! Por que as coisas são assim? Compreendo, mas não me conformo: nós, os humanos, a despeito da racionalidade (seria por causa dela?), somos tristemente voláteis!        

 

 



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 01h24
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NADA DE NADA, PELA PALAVRA NADA

Conquanto não tenha sido antes, mas ainda assim a propósito da passagem do Dia de Finados, trago a lume mais esta insignificância literária. As expressões “nada de nada, pela palavra nada” foram propositadamente tomadas do primeiro capítulo do livro As intermitências da morte, de José Saramago, publicado em 2005, pela Companhia das Letras, que li na internet (ah, como gostaria de já escrever internete!).

Acabo de reler a tragédia grega Antígona, de Sófocles, na tradução de Donaldo Schüler, publicada pela L&PM Editores e quis fazer uma brincadeira, pois as duas obras, As intermitências da morte e Antígona, são diferentes entre si, não só no tempo e no espaço, muito embora, por paradoxal que pareça, tenham muitos matizes em comum, coisa que não vem ao caso discutir aqui. Naquela, a intrigante ausência da morte; nesta, sua presença marcante como fruto venenoso da tirania, opressão e desatinos de Creonte, mais um usurpador do poder de Tebas.

A antiga civilização grega é apaixonante e seus clássicos são imbatíveis em tudo. Sófocles viveu de 495 a 406 antes de Cristo, mas suas tragédias, que foram citadas várias vezes por Aristóteles na Arte Retórica e na Arte Poética, por exemplo, são de atualidade a toda a prova, como se o poeta fosse nosso contemporâneo.

Sua perenidade evoca, por contraste, a efemeridade e a perecibilidade  de coisas, pessoas e instituições, que deveras me incomodam. Sempre vejo com pesar o fechamento de uma casa comercial ou de outra entidade qualquer, a solução de continuidade de um empreendimento, a ruptura de um relacionamento, o malogro de esperanças. Apego-me apaixonada e obstinadamente a pessoas, coisas, lugares e instituições.

A morte, por significar separação e implicar o desaparecimento físico do ser humano, é a mais terrível das coisas terríveis. Como se ouve dizer desde a mais tenra idade, para a morte não tem jeito. Dia de Finados relembra morte e sepultamento, dor e saudade. Dar sepultura aos mortos é do direito natural e, derivado deste, do direito positivo, com implicações de caráter religioso e sociológico que se confundem com o existir do próprio homem, no oceano dos tempos.

Deixar os mortos insepultos seria antinatural, até pelas consequências mais diversas que sobreviriam aos vivos. Na mitologia grega, Creonte, o tirano de Tebas, por não permitir, à revelia do direito e da lei, o enterro do sobrinho Polínice, atraiu para si desgraças que não imaginava, dando causa à morte da sobrinha Antígona, do filho Hêmon e da mulher, Eurídice.

Elementar. O mau governante, em todos os tempos, causa males imensuráveis aos governados. Tirésias bem o diz a Creonte: “Os males desta cidade procedem de tua cabeça” (Antígona, 1015). Creonte, conquanto sabiamente advertido por Antígona, Hêmon e Tirésias, não se demoveu dos maus intentos, porque todo mau governante é turrão. “A arrogância atrai a loucura” (Antígona, 1028). Com efeito, Creonte sorveu a taça da amargura, desvalido e prisioneiro para sempre dos próprios desatinos: “Eu não sou nada, sou menos que ninguém” (Antígona, 1324-1325).  

O estarrecedor de tudo isso, em pleno século XXI depois de Cristo, é que não se trata apenas de ficção e mitologia. Nos dias de hoje, como nos dias de passado recente, ou remoto, comumente faltam Tirésias, Antígonas e que tais, mas sobram Creontes nas mais variadas versões.



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 10h57
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SOPINHA DE REMÉDIOS E SOCIEDADE SUI GENERIS

Ácido acetilsalicílico, captopril, carvedilol, digoxina, espironolactona e furosemida, eis aí alguns dos remédios que tomo diariamente. Esses aí são por causa da cardiopatia e os tomo permanentemente há mais de um ano, sem previsão de parar. Mas, como de vez em quando tenho outros problemas de saúde, tipo alergia respiratória, dermatite e reumatismo, acabo tomando mais outros medicamentos. Caramba! Sou, pelo conteúdo, uma drogaria semovente.

 

Abrindo e fechando parêntesis, semovente é o ser ou a coisa animada que se move por si mesma. Daí a classificação dos bens em móveis, imóveis e semoventes, pelo Código Civil. Bens móveis são os que podem ser movidos pelo ser humano, sem modificação ou prejuízo da essência, como carros e mesas, por exemplo; bens imóveis são os terrenos e suas acessões físicas, e ainda os assim declarados por lei; bens semoventes são os bois, os cavalos, e assim por diante.   

 

Tomar tanto remédio diariamente me incomoda, é óbvio, mas não muito, a não ser o bolso, que é a parte mais sensível do homem (e da mulher também). É claro, já me pareço um sócio da rede Big Ben, só que é uma espécie de sócio a que os manuais de Direito Societário e de Contabilidade não fazem a menor alusão, a saber, aquele sócio que injeta recursos frequentemente, mas não tem participação nos lucros. Seria um sócio passivo? Sei lá! Sou advogado e, antes de me graduar em Direito, formei-me no curso técnico de Contabilidade, mas nunca li nada a respeito nem ouvi falar desse tipo de sócio. Brincadeira, claro; mas que é verdade é. É uma sociedade sui generis.

 

Se não o incomoda muito, por que, volta e meia, escreve sobre o assunto? – há de se perguntar algum leitor. É que eu gosto de me lembrar sempre de que, se tomo remédio é porque estou doente, mas não estou morto. Mas não é somente por isso. É também porque, como já escrevi em outra ocasião, o nome genérico, a denominação do princípio farmacológico ativo dos medicamentos sempre me chamou a atenção. Alguns (se não quase todos) são bem diferentes do linguajar do homem comum.

 

O professor Gerson, de São Paulo, leitor das minhas crônicas no blogue http://valdinar.zip.net, contou, no comentário à crônica “Fumarato de Cetotifeno”, que toma diariamente cloridrato de trazodona. Aliás, a manifestação do leitor não tem preço, tem valor e valor incalculável. O leitor merece todo o respeito e carinho, na boa e mais profunda acepção dessas palavras. Se me demoro um pouco mais de uma crônica para a outra ou, ainda, quando o jornal deixa de deixar publicar o que escrevo, logo vêm dois, três ou mais leitores marabaenses dizendo-me: “Doutor, não deixe de escrever não! Eu leio sempre seus textos e gosto muito deles.” Do mesmo jeito, leitores de São Paulo, do Rio e de outros lugares, têm-se manifestado pela rede mundial de computadores.

 

Um dia (já faz alguns anos, pois ainda estava na Universidade), um dos meus professores de Direito abordou-me na porta do Banco do Brasil e, brincando, perguntou: “E aí, gramático? Quando é que vai sair da gramática?” E, antes que lhe respondesse, foi logo me dizendo: “Olhe lá, estou brincando. Não vá pôr meu nome lá não!” Também fiquei feliz um dia desses quando me disse um dos colegas da Universidade, da turma de Direito de 1996, que só compra o jornal Correio do Tocantins, ou o jornal Opinião (Marabá, infelizmente, ainda só tem esses dois jornais) quando sabe que tem a minha crônica.

Há, todavia, quem não gosta do que escrevo, o que é natural. Existem pessoas que se incomodam até com o latim, que já é morto, imagine com a balela de cronista de meia-tigela, que, muito embora doente, ainda está vivo. Agradar a todos, com sabemos, é simplesmente impossível. Ah!... Antes que me esqueça, só falei de remédios hoje porque tive que comprar ácido acetilsalicílico, captopril, carvedilol, digoxina, espironolactona, furosemida e dipropionato de betametasona (este último, de uso dermatológico). “Mas é claro, meu chefe!” – como diz o amigo Milton Farias.



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 18h23
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FRAGILIDADE HUMANA

Segunda-feira, 12 de outubro de 2009 seria mais um dia qualquer dos meus 49 anos de vida, se não fora o dia triste que foi: participei de dois velórios, juntamente com a Câmelha, minha mulher, e, na hora dos sepultamentos, tivemos que nos separar; fui para o cemitério “Recanto da Saudade”, Nova Marabá, e ela foi para o cemitério (pelo menos que eu saiba) ainda sem nome, na Cidade Nova. É que, na noite de ontem, faleceram duas pessoas da nossa amizade: Simone Maria Vasconcelos Nascimento, de 21 anos, secretária da Escola Municipal “Luterana”, onde a Câmelha é coordenadora pedagógica; e Adenair Freitas Heringer, de 77 anos, amada irmã em Cristo (da Igreja Presbiteriana do Brasil, como nós).

 

Foi uma experiência ímpar e dolorosa, pelo intraduzível sentimento de perda corroborado pela dor inexprimível da impotência ante a perecividade natural do ser humano. A morte, conquanto seja a quase certeza da vida de cada um, ninguém a espera nem a deseja. Digo a quase certeza, porque advogo a minha fé nas Sagradas Escrituras, segundo as quais nem todos morrerão: quando Cristo voltar, os mortos ressuscitarão e os vivos serão transformados (1 Coríntios 15.51, 1 Tessalonicenses 4.17).

 

Encerradas as cerimônias e passada a agonia da hora mais triste, que é a das primeiras pás de terra jogadas sobre o caixão baixado à sepultura, voltamos nós, cada um para sua casa, e aqui estou eu, após o reencontrar da mulher, que fora prestar a última homenagem a sua colega Simone. Ela dorme, porque não dormiu de ontem para hoje e estava muito cansada; eu, todavia, não consegui conciliar o sono, por mais que o buscasse. Precisava escrever alguma coisa, dizer algumas palavras sobre o estado de espírito de que me vejo prisioneiro no recesso silencioso do meu íntimo, deixando-me abandonar à meditação profunda sobre os mistérios da vida e da morte.

 

Ah, como quisera eu ser o poeta que não sou, para expressar, de forma grave, mas espirituosa, o que agora me incomoda e locomove! Como gostaria de poder consolar de forma realmente eficaz a mãe, pai e irmãos da jovem de 21 anos, bem como, semelhantemente, o marido, filhos e netos da amada irmã em Cristo. Sem chance, impossível! Não sou poeta e, ainda que o fosse, não poderia fazê-lo: tudo que escrevesse ou dissesse não supriria jamais a falta dos entes queridos que se foram. Só o tempo, naturalmente, poderá trazer, de alguma forma, a consolação.

 

Nós somos frágeis como a flor da erva, que desabrocha na madrugada e ao entardecer já quedou murcha e sem vida. A jovem linda, bem-educada e talentosa que anoiteceu cheia de vida e de sonhos não pôde ver o amanhecer, porque já estava morta. Ontem, trabalhava, corria, brincava, sorria e fazia planos; hoje, está enterrada e com ela pereceram todos os seus sonhos! Na outra família, o jovem que um dia se casou, viu com alegria, ano a ano, nascer e crescer cada um dos filhos, agora, ancião, o corpo alquebrado e a mente amortecida pelo esvair-se natural da existência, viu baixarem à sepultura os ombros que toda a vida o ampararam. A morte, ah, como é terrível a morte!

 

A Bíblia diz que Deus pôs a eternidade no coração do homem (Eclesiastes 3.11), mas, como se vê, o homem é um produto altamente perecível. É preciso ter esperança na vida futura, pois a vida terrena é muita curta, efêmera ao extremo: a ninguém vale a pena se apegar às coisas deste mundo. Como escreveu o apóstolo Paulo (1 Coríntios 15.19): “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens.”



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 00h37
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JUIZ TAMBÉM É HUMANO

Chamou a atenção de todos e, o mais importante, cativou a todos a emoção do juiz de direito Cristiano Magalhães, que, no dia 9 de outubro de 2009, na Câmara Municipal de Marabá, não conteve as lágrimas ao falar na audiência pública da comissão parlamentar de inquérito que investiga a exploração sexual de menores, conhecida popularmente por CPI da Pedofilia. O ilustre magistrado, por sinal velho conhecido e amigo do presidente e do relator da CPI, é titular da 5.ª Vara Penal de Marabá e fazia parte da mesa diretora dos trabalhos, como convidado de honra.

 

Ao usar da palavra, na presença de deputados, vereadores, advogados, membros do Ministério Público, delegados de polícia e pessoas de diversos outros segmentos sociais, o magistrado, ao se referir a um caso no qual atuou como juiz até a sentença de pronúncia dos denunciados, hoje condenados a mais ou menos 40 anos de reclusão cada um, interrompeu bruscamente a fala, por cerca de um minuto ou um pouco mais, e chorou ante a lembrança da crueldade dos assassinos, que estupraram uma criança e depois, para ocultar o crime, a mataram impiedosamente.

 

Passada a emoção incontida, o magistrado, elegantemente, pediu desculpas a todos e prosseguiu. Não pude deixar de admirar profundamente aquele gesto, que poderia servir de azo para tudo, menos para pedido de desculpas. Não, não era motivo para pedir desculpas: era motivo para ser ovacionado de pé, ante a sua sensibilidade de ser humano que não se deixou sufocar pela sisudez e gravidade da honrosa, mas não menos espinhosa, função de judicar. Naquela hora, sentado no Plenário da Câmara, ao lado da vereadora Antônia Carvalho de Araújo Albuquerque, não me contive e falei baixinho ao pé do ouvido dela: “Que bom, juiz também é humano!”

 

A judicatura é, com efeito, um dos mais importantes, honrosos e sublimes misteres a que se pode dedicar o homem ou a mulher, mas é também, por isso mesmo, um terreno movediço em que, envaidecidos, não são poucos os que aí naufragam, deixando-se abandonar ao complexo de superioridade e a sentimentos outros do mesmo jaez, desprovidos de qualquer nobreza. Há juízes cujos atos e atitudes demonstram a todas as luzes que se julgam infalíveis e, conquanto o foro íntimo da consciência de cada indivíduo seja algo inacessível aos mortais e que somente a Deus é dado conhecer, a ninguém será lícito duvidar de que existem alguns deles que, tolamente, chegam a pensar que são deuses, sentimento pobre, abjeto e desprezível, o qual nos parece, não raro, também se apoderar de muitos membros do Ministério Público e até de serventuários da Justiça.

 

Ah!... Não posso deixar de registrar que, não sei por que cargas d’água, a Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) não foi convidada para a audiência pública, muito embora seja inquestionável que, se fosse convidada e recebesse a palavra a tempo, teria muito com que contribuir para a grandeza do debate e o fornecimento de subsídios para o trabalho da CPI. Queira ou não queira quem quer que seja, a OAB é diretamente interessada no assunto tanto quanto o Poder Judiciário e o Ministério Público. A uma, porque o advogado – dizem a Constituição Federal e a lei – é indispensável à administração da justiça. A duas, porque, também por força da Constituição e da lei, dentre as finalidades da OAB ressaltam-se expressamente a defesa da Constituição, da ordem jurídica, dos direitos humanos e da justiça social.



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 18h01
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LEMBRANÇA DE PESCARIAS E CAÇADAS

Tenho às vezes o amargo sentimento de inutilidade de muitas coisas, pessoas e instituições, que se faz seguir de revolta, descrença e outros sentimentos da mesma estirpe. É comum deixar-me abandonar aos pensamentos, indagando-me, não muito raramente, se as demais pessoas do meu convívio, das instituições a que pertenço e locais da minha atuação, lutam com o mesmo estado de espírito. Não sei. Minha reação a isso é ambígua: ora, quero crer que sim; ora, que não.

 

É mais um sábado e estou em casa. Passa das 15 horas de 5 de setembro de 2009, para ser mais preciso. Mais um dia em que, repentinamente, me vejo pensativo e calado, entregue às reminiscências do passado que vai se tornando distante. Sempre fui inconformado com a brevidade da vida e com o que as pessoas fazem dela. Há pessoas como, por exemplo, o médico Rinaldo de Lamare, que dedicam a vida inteira a uma boa causa; há outras, todavia, como o criminoso Fernandinho Beira-Mar, que a dedicam inteiramente às coisas ruins; e há outras, ainda, que não a dedicam a causa alguma, nem boa nem ruim.   

 

Na minha modesta sala de estudos, pegando um livro daqui outro dali, acabei relendo as crônicas “Cajueiro” e “Lembranças da fazenda”, de Rubem Braga; “Talvez o último desejo”, de Rachel de Queiroz, e “O milagre das folhas”, de Clarice Lispector, textos diferentes entre si – o que por si só demonstra a diversidade das minhas lembranças e divagações – com os quais me identifico pelo enfoque eminentemente pessoal dado à ocasião pelos autores. Não pude deixar de me emocionar, lembrando-me da minha infância e adolescência, na zona rural, juntamente com meus pais e meus irmãos, dos meus sonhos da época, das minhas alegrias, das tristezas e sofrimentos.

 

Reler “Cajueiro” e “Lembranças da fazenda” fez aflorar, com a nitidez dos acontecimentos como se fossem de ontem, a lembrança do castanhal Cajueiro, zona rural de São Geraldo do Araguaia, onde eu e meus irmãos José, Raimundo e Valdener, pescávamos de anzol no Sororozinho e caçávamos paca na mata de castanha-do-pará. Havia muito peixe e, quase todas as vezes, nosso velho cão, chamado Jupi, acuava paca, que matávamos com relativa facilidade. A paca da região fazia morada em toca rasa com saída para o riacho, e tornava-se presa fácil quando, tentando escapar, pulava na água baixa da estação do estio, podendo ser abatida a tiro de arma de fogo ou mesmo a facão. Um dia, um soldado combatente da Guerrilha do Araguaia, que pescava conosco, matou uma com o fuzil. Em outra pescaria, outro soldado atirou com o fuzil em um poraquê e, por haver disparado a arma, chegando ao alojamento da tropa, pegado a nossa casa, levou a maior bronca do comandante.   

 

Com as lembranças veio imensa tristeza. Não mais existe a floresta tão densa, tão linda, tão rica e tão acolhedora onde a gente pescava e caçava: cortaram e queimaram tudo, de forma imbecil e criminosa. Foi-se para não voltar, porque já não existe, a bela e exuberante castanheira, como se foram para não mais voltar as outras espécies da flora. E outra não foi a sorte da onça-pintada e outras onças, do veado-mateiro e outros veados, como a da paca e da cutia, da tona e da nambu-pé-de-serra, do jacu e do mutum-castanheiro, da arara e do papagaio. Mataram tudo. Acabaram tudo.    



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 01h25
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REGISTRO

São 22h26 de 31 de agosto de 2009. Estou em casa, estudando, como costumo fazer a esta hora todos os dias, quando isso me é possível. Há um ano, dia 31 de agosto de 2008, nesta hora, estava internado no Hospital Climec, onde dera entrada à tarde, com hipertensão e dispneia. Na época, meu problema cardíaco era grave; agora, conforme os exames cardiológicos a que me submeti recentemente, é moderado. Estou vivo e, mais do que isso, podendo estudar, trabalhar, cuidar da família e ser útil à sociedade, conquanto continue doente e tenha de tomar vários medicamentos todos os dias.

 

Hoje, a despeito de ser segunda-feira e de haver terminado minhas férias ontem, dia 30, não fui trabalhar, como deveria ir, pois tive de me submeter a mais exames, para que, na consulta que farei amanhã à tarde, o médico possa avaliar com mais rigor a resposta do meu organismo ao tratamento medicamentoso que vem sendo feito. Ao todo, sete exames de laboratório, fora raios X do tórax: seis de sangue e um de urina.

 

Queria estar com disposição para escrever uma crônica, todavia não estou. Sinto-me desanimado, cansado, aborrecido talvez seja o adjetivo mais apropriado para o momento. Com quem? Com o mundo, com os humanos. Por quê?... Eu sei lá! Nem quero saber. Labilidade, depressão momentânea e corriqueira de um cardiopata. Fica aí, todavia, o registro na página infinita da rede mundial de computadores, registro da minha gratidão a Deus, principalmente. “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum dos seus benefícios” (Sl 103.1-2).



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 22h43
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A IMPROBIDADE E AS DESIGUALDADES SOCIAIS

Uma das publicações que recebo regularmente como assinante é o jornal maçônico Liberdade e União, órgão de divulgação da Loja Maçônica “Liberdade e União” – n.º 1.158, de Goiânia, Estado de Goiás, do qual vim a saber por meio do ilustre irmão Innocêncio de Jesus Viégas, prócer da Maçonaria brasileira, membro da Academia Maçônica de Letras do Distrito Federal.

 

A edição 201 (maio-junho de 2009) do Liberdade e União traz a crônica “Vazio Existencial”, de Valfredo Melo e Souza, jornalista, escritor e membro da Academia Maçônica de Letras do Distrito Federal, crônica da qual pincei estas palavras: “Acumulamos riquezas e não aproveitamos o tempo da melhor maneira possível, porque não levamos em consideração que o tempo passa. A vida continua, somos nós que não prosseguimos.”

 

Pensando bem, é fato. São quase sempre materiais e muito mesquinhos os valores que as pessoas buscam na baixeza infame do egoísmo, a despeito dos rótulos, sobrepelizes e urdiduras sociais que enganam a todos e fazem se passar por pessoa de bem o mais desonesto e detestável dos embusteiros. Apesar da positivação do princípio da moralidade, com sua expressa inserção no texto da Constituição da República, o que prevalece no serviço público são os atos de prevaricação, de corrupção ativa e passiva, de improbidade. Com a palavra, para provar o contrário, o Senado Federal, que é a Câmara Alta do nosso Parlamento, conquanto seja baixo até demais muito do que acontece por lá.

 

Para falar apenas de Brasil, milhões de pessoas vivem às raias da miséria absoluta em todos os sentidos porque alguns milhares vivem a malversar o dinheiro público, a solapar as instituições, a corromper os valores, a acumular, pelo bem e pelo mal, riquezas e mais riquezas que jamais serão levadas à sepultura ou à vida no porvir, do outro lado da existência humana. Muitos, é claro, nem acreditam na existência após a morte. Escândalos como o do Senado, um exemplo do que acontece pelo Brasil afora, mostram de forma inquestionável uma coisa e a outra. Não devemos, contudo, em hipótese alguma, nos calar diante deles, ainda que o nosso falar seja tão baixo e se pareça ineficaz pela sua insignificância.

 

Há coisas mutáveis e coisas imutáveis, coisas que devem e coisas que não devem mudar. E aprendi do eminente grão-mestre adjunto da Grande Loja Maçônica do Pará, Wagner Spindola de Ataíde, em memorável sessão maçônica bem recente, que “as coisas que não mudam servem para nos mudar”. Oxalá cada pessoa de bem, maçom ou não maçom, crente ou não crente, cristão ou não cristão, faça a sua parte, sem se esquecer de que a vida aqui é mais do que efêmera.

 

A vida será muito melhor com a redução real e eficaz das desigualdades sociais. Para que tão poucos com demasiadamente muito, em detrimento de muitos com demasiadamente pouco? A riqueza ilicitamente acumulada proporciona o prazer e a alegria passageira dos que a detêm, mas é, sem dúvida, uma das principais razões do sofrimento e da desgraça das demais pessoas.



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 20h18
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A CRÔNICA E O BLOGUE

Prefiro a forma aportuguesada blogue à forma inglesa blog, e passei a adotá-la desde que a vi registrada no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, edição 2009, editado em Portugal. A prova disso são as palavras finais da crônica “Eu, as apostilas, o correio e o instituto”, que os jornais marabaenses fizeram questão de não publicar, mas foi publicada nos meus blogues, dia 2 de agosto de 2009, onde escrevi: “Para quem ainda não sabe, a forma aportuguesada blogue, da forma inglesa blog, é dicionarizada. Mas isso será assunto de outra crônica.”

 

Muito embora haja controvérsia, a palavra inglesa blog é uma redução de weblog, que significa diário eletrônico. De fato, escreva-se diariamente ou não, blogue é um diário escrito na rede mundial de comunicação por computadores, porque, sempre que nele se escreve, ficam registrados dia e horário. Rede mundial de computadores é, como sabemos, a expressão vernácula para o inglês internet (que, a meu ver, já deveria ter-se tornado internete). Com a palavra dicionaristas, filólogos, linguistas e gramáticos, para que se pronunciem ex cathedra. Não vejo, contudo, razão para dicionarizar blogue e não dicionarizar internete.

 

Mas, Inglês ou Português, o que importa são a liberdade e o poder que a coisa confere a todos os que apreciam escrever. Criei meu primeiro blogue em 30 de março de 2006 e não mais parei de escrever na internet. Antes publicava nos blogues o que escrevia com a intenção de ver publicado nos jornais. Agora, não: escrevo para os blogues e publico. Se sair nos jornais, tudo bem, uma vez que ainda há grande parcela da população sem acesso ao mundo virtual. Se, todavia, os jornais não publicam, como às vezes acontece, o problema é apenas dessa parcela de leitores dos jornais, os quais só terão oportunidade de ler quando forem publicadas em livro as crônicas dos blogues.

 

Desde há muito tempo, existem blogues para todos os gostos. E, apesar de em muitos deles (a maioria talvez, eu penso) grassar a baboseira, há muitos de conteúdo interessante. José Saramago, por exemplo, único escritor de língua portuguesa que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, tem um blogue e escreve nele com frequência. Mais do isso. Publicou recentemente, pela Companhia das Letras, O Caderno, um livro só de crônicas publicadas no blogue de setembro de 2008 a março de 2009. Eu o tenho, comprei em julho e estou terminando de ler. É muito bom. Aliás, ler O Caderno foi mais do que um incentivo para mim, que já pensava em publicar um livro com as crônicas dos blogues e jornais.

 

Por fim, registro que o escritor Deonísio da Silva, doutor em Letras pela Universidade de São Paulo e professor da Universidade Estácio de Sá, também prefere blogue a blog, como diz ele no texto “Visita ao blogue de José Saramago”, publicado em 11 de agosto de 2009, no Observatório da Imprensa:

 

“Blogue é palavra que veio do inglês weblog, onde estão embutidos os étimos web, rede, e log, registro, diário. Os dicionários brasileiros insistem em escrever blog, e não blogue, embora registrem blogueiro e bloguista. Em Portugal são aceitas as duas formas, blog e blogue, com preferência para a segunda, como faz o Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora.”

 

No parágrafo seguinte de seu texto, segue o doutor Deonísio:

 

“Escrevo blogue desde as primeiras vezes em que precisei da palavra na página semanal de etimologia que faço para a revista Caras e também em crônicas ou em outras colunas publicadas em jornais e na internet, inclusive neste Observatório da Imprensa e em meu próprio blogue. Com o tempo, todos escreveremos blogue. Aliás, foi isso que aconteceu com buldogue, que se escrevia bulldog, já uma junção das palavras do inglês: bull, touro, e dog, cachorro.”

 

Concordo plenamente com Deonísio da Silva, muito embora não saiba por que ele e o dicionário da Porto Editora não façam o mesmo em relação à palavra internet. É esperar para ver. Não tem sentido continuar escrevendo blog. Nem internet – eu penso.  

 

 



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 18h16
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QUE DIFERENÇA FAZ, LEI OU DECRETO?

Sexta-feira, 14 de agosto de 2009, por volta 12 horas. Eu caminhava pela Avenida Antônio Maia, centro de Marabá, na direção da Nova Marabá, quando passei por dois homens relativamente jovens, um deles com colete laranja de mototaxista, os quais discutiam sobre um assunto qualquer que não fiquei sabendo qual era. Despertaram-me a atenção, conquanto não tenha parado, estas palavras ditas pelo que usava colete: “E que diferença faz, lei ou decreto? É tudo a mesma coisa.” Pronto. Estava aí o assunto para uma crônica.

 

Por mais que, pelo senso comum, as pessoas pensem o contrário, lei e decreto não são a mesma coisa, são atos normativos distintos, com força e funções diferentes. Existe mesmo – pode-se dizer sem exagero – uma diferença abissal entre este e aquela, porquanto há uma hierarquia bem nítida, notadamente no Brasil, entre as normas jurídicas: a constituição, a lei complementar, a lei ordinária, o decreto, a portaria, a resolução, a instrução. É impossível, entretanto, discorrer sobre as minúcias de cada espécie desses atos no pequeno espaço de uma crônica, sendo, pois, assunto de artigo acadêmico para publicação especializada.

 

A despeito disso, importa saber que, na ordem hierárquica, a constituição é a base de toda a ordenação jurídica, superior a todas as leis, que não podem contrariá-la, sob pena de serem inconstitucionais (às vezes, às pessoas do povo dizem anticonstitucional, o que dá na mesma, embora não seja o nome técnico). Lei inconstitucional não se cumpre, pois não obriga nem desobriga ninguém, porque não tem validade. A lei, por sua vez, é superior ao decreto, que não pode contrariá-la, sob pena de ser ilegal e não ter validade. O decreto, por seu turno, é superior à portaria ou ato normativo similar. Há demais disso, obviamente, rígida hierarquia normativa entre a Constituição Federal, as constituições estaduais e as leis orgânicas municipais, respeitada a competência legislativa de cada ente federativo (União, estados, Distrito Federal e municípios).

 

No que concerne à lei e ao decreto, deve ficar claro que a lei tem mais força normativa porque, para sua formação, concorrem conjuntamente o Poder Legislativo e o Poder Executivo. Aquele, formado por parlamentares, discute e aprova o projeto de lei, e este, encarnado pelo presidente da República, governador ou prefeito, mediante a sanção, transforma em lei o projeto de lei aprovado pelo Legislativo. O decreto tem menos força normativa (para garantia dos governados, assim deve ser visto) porque não passa pela discussão e aprovação legislativa, é simplesmente elaborado e assinado pelo presidente, governador ou prefeito, conforme o caso. O processo de formação da lei chama-se processo legislativo. O decreto não é submetido ao processo legislativo.

 

A mais importante, contudo, de todas as distinções entre a lei e o decreto é que a lei obriga a fazer ou deixar de fazer, e o decreto, não. É o princípio genérico da legalidade, previsto expressamente no artigo 5.º, inciso II, da Constituição Federal, segundo o qual “ninguém será obrigado a fazer ou deixar alguma coisa senão em virtude de lei”. Somente a lei pode inovar o Direito, ou seja, criar, extinguir ou modificar direitos e obrigações. No atual regime constitucional brasileiro, não se obriga nem desobriga a ninguém por decreto, nem mesmo pelo doutrinariamente chamado decreto autônomo, cuja discussão não cabe aqui.

 

Dentre as funções do decreto, a principal é a de regulamentar a lei, ou seja, descer às minúcias necessárias de pontos específicos, criando os meios necessários para fiel execução da lei, sem, contudo, contrariar qualquer das disposições dela ou inovar o Direito. Contrariando (sem querer contrariar) os que não gostam de latim ou até o odeiam com ódio consumado: o decreto só poderá ser secundum legem ou, no máximo, praeter legem; jamais poderá ser contra legem.



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 01h49
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FIM OU FINAL, FRASCOS E COMPRIMIDOS

Queria, nesta crônica, falar de O Caderno, livro de crônicas de José Saramago, que comprei recentemente e estou terminando de ler, e do livro Como os Médicos Pensam, que ganhei do meu filho Douglas, como presente do Dia dos Pais, e também estou lendo. Fica, entretanto, para outra ocasião. Hoje, responderei (sinteticamente na medida do possível) à defesa gratuita de frascos e comprimidos ou crítica ácida a um advogado que escreve para jornal.

 

A defesa de frascos e comprimidos, após dizer que na área jurídica “as formalidades da ortografia até podem ter sentido”, também diz que os advogados “usam latim para mostrar conhecimento, quando deveriam ater-se ao bom português”. Ledo engano da defesa em ambas as afirmações. A preocupação com a ortografia e com outros aspectos da língua fazem sentido para todo o profissional sério de todos os ramos de atividade. O emprego do latim tem razões técnicas muito além da simples e ingênua demonstração de conhecimento. Empregar final por fim, como se fossem a mesma coisa, não é bom português.

 

Escrevi a crônica “Fim ou final? Depende...” (Opinião, edição 1.769, 6 e 7 de agosto de 2009), de uma sentada, a partir de conhecimento próprio de português, sem consultar livro algum, porque o português aprendido no ensino fundamental e no ensino médio é suficiente para isso. E agora, para refutação resumida de “Comunicação – Eu me expresso e você entende” (Opinião, edição 1.771, 11 e 12 de agosto), não preciso ir buscar argumentos na área jurídica. Com efeito, a citação de dois jornalistas profissionais de altíssimo gabarito (com os negritos, itálicos e sublinhados originais) há de ser suficiente para mostrar ao leitor o equívoco do defensor de frascos e comprimidos. Deixo de citar outros por falta de espaço e até por ser desnecessário.

 

O jornalista e escritor Eduardo Martins, no livro Manual de Redação e Estilo, nada mais nada menos que o manual de redação do jornal O Estado de S. Paulo, diz o seguinte: “[...] Fim é a palavra correta para indicar o término ou a conclusão de alguma coisa: no fim da semana, no fim do mês, no fim do ano, no fim do século, até o fim de 1998, até o fim do trabalho, até o fim dos dias, no fim do jogo. [...]”

 

De forma ainda mais contundente, Marcos de Castro, licenciado em Letras Clássicas, e também jornalista e escritor, diz no seu livro A Imprensa e o Caos na Ortografia: “O substantivo fim, tão pequenino em sua simplicidade, vai ficando esquecido. Não se diz nem se escreve mais ‘fim de semana’, nem ‘fim de mês’. Só se ouve e se lê ‘final de semana’, etc.” E segue argumentando em cinco longos parágrafos do seu texto de seis, que – é lógico! – não dá para transcrever aqui, por falta de espaço.

 

É necessário, contudo, transcrever parte de um dos parágrafos:

 

“O simples é fim, porque o substantivo natural é fim, vem do substantivo latino finis, através do acusativo finem (latim vulgar fine). Final é um adjetivo, vem do latim finalis, e. Pode ser usado como substantivo, em português, é bem verdade, mas será sempre o adjetivo substantivado, carregará sempre esse ranço. Quem usa final como substantivo parece que gosta precisamente do ranço, como há quem goste de caça faisandé. A imprensa, entretanto, deve evitá-lo. O normal é que no fim (substantivo) da missa o padre dê a bênção final (adjetivo) – a redundância vai como reforço do exemplo. Quando está no minuto final (adjetivo), o jogo está chegando ao fim (substantivo). Esse é o emprego natural, despojado, distante de ostentações. Comunicar-se é simplificar. Enveredar pelas complicações, buscar o pomposo, é sempre má comunicação.”

 

Eduardo Martins, que faleceu recentemente, era do jornal O Estado de S. Paulo. Marcos de Castro, jornalista profissional, trabalhou na Rede Globo, nos jornais O Globo, O Dia, Jornal do Brasil e Jornal da Tarde, e nas revistas Enciclopédia Bloch, Veja, Realidade e Manchete. Fiz a minha parte. O leitor é livre para ficar com o que eles escreveram em obras de nomeada ou com o que escreveu a defesa de frascos e comprimidos. Quanto a isso, doravante, calar-me-ei. E, por questão de espaço, em crônica futura tratarei da afirmação de que o latim só vive no meio jurídico, afirmação também equivocada, para dizer o mínimo.

 

 



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 14h31
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MEU PAI É O CARA!

Se ninguém me admirasse, como há pessoas de ambos os sexos e diferentes faixas etárias que me admiram, ainda assim eu seria admirado. Sim, seria, porque eu me admiro. Não é narcisismo, nem falsa modéstia, nem falta de autocrítica, é admiração e autoestima. Com efeito, há, por certo, quem pense diferente, mas creio que minhas virtudes cobrem meus defeitos. E, sem prejuízo da razão, da autocrítica e da modéstia, azar de quem pensa diferente. É! Sem arrogância, mas com a firmeza necessária: azar deles. Eu sou assim e muitas das coisas que sou não pedi para ser.

 

Não falo dos atributos físicos, é óbvio, pois gostaria de ser fisicamente diferente do que sou: um pouco mais alto, músculos mais avantajados e farta cabeleira no lugar da carequinha, muito embora se diga ser dos carecas que elas gostam mais. Certamente pegaria bem. Mas, fazer o quê?... Falo das outras características, de atributos morais e intelectuais. Gosto de ser corajoso na medida do possível, de demonstrar gratidão, de não ser covarde, de não ser omisso, de não ser desleal, de dizer a verdade, não obstante saiba que, segundo a Bíblia, todo homem é mentiroso. Odeio a omissão, a covardia, a ingratidão e a deslealdade. O mundo seria, com efeito, muito melhor se não existissem os milhões de covardes, omissos e canalhas de outras categorias que existem.

 

Talvez o leitor esteja a se perguntar por que estou escrevendo isso. Bom, respondo que é por vários motivos, alguns dos quais não declinarei explicitamente. Um deles é querer registrar em crônica, como registro agora, que, quando posso, assisto a algumas telenovelas da Globo. Sim, assisto. E daí? Não vejo nisso nenhum prejuízo para minha intelectualidade. Logicamente, alguém pode até dizer que não sou intelectual, mas eu acredito que sou e isso é o que importa. Outro motivo é dizer que gosto de reler meus textos e admirar coisas que escrevi neles. E outro – o principal deles – é para repudiar, sem citar nomes, a existência de muitos covardes, omissos e canalhas de Marabá.

 

Como telespectador de telenovela, gosto, por exemplo, da admiração que o personagem João Manoel, da novela Senhora do Destino, tem pelo pai, o ex-bicheiro Giovanni Improtta. Percebo aí beleza e sagacidade na ironia do autor da telenovela ao demonstrar a lei natural que diz que quem ama não vê os defeitos, ou, se vê, prontamente os releva. João Manoel esbanja, em gestos e palavras, admiração pelo pai. Guardei, por exemplo, esta tirada: “Faço minhas as palavras do meu pai. Ele é o cara!” Puxa vida, achei o máximo! Talvez porque eu também admirava muito, como ainda admiro meu falecido pai, que não foi bicheiro; foi, por toda a vida, lavrador honesto e pobre.   

 

Quanto aos canalhas que infestam postos importantes em Marabá, deixo este trecho retirado da interpretação que escrevi de uma instrução maçônica recebida: “Não quero, sinceramente, apontar o dedo acusador para ninguém. [...] Até porque a consciência de cada um é sempre, queiramos ou não, o maior juiz, o árbitro cujas decisões calam fundo e falam alto no silêncio eloquente.” É. Eu escrevi isso, porque assim acredito e, por isso, defendo. Fica, todavia, a pergunta: Canalha tem consciência? Eis a questão.



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 12h50
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FIM OU FINAL? DEPENDE...

A imprensa, mas não somente ela, confunde-se no emprego das palavras fim e final, e quase sempre emprega erradamente a palavra final, pondo-a no lugar de fim. Na linguagem oral também se verifica a mesma confusão. As pessoas (muitas delas até muito críticas) gostam de falar ou escrever final de semana, quando deveriam dizer ou escrever fim de semana; final do dia por fim do dia, e coisas similares. Pois bem, seu moço. Acontece frequentemente, mas não deveria acontecer. Nem tudo é normal por acontecer com muita frequência.

 

Trata-se, no caso, de uma simples questão morfológica. O problema é que a maioria dos falantes de hoje (e escreventes também) não se preocupa com morfologia nem com sintaxe nem com coisa alguma da língua e sai por aí escrevendo e falando erradamente, por mero desleixo. O Português suficiente para falar e escrever bem consta dos programas do ensino fundamental e do ensino médio. Quem não aprendeu aí dificilmente aprenderá no ensino superior, só se fizer um bom curso de licenciatura em Letras. E muitos nem assim, uma vez que o aprendizado depende muito da pessoa, não somente do programa estudado. Conheço licenciados em Letras quem não sabem Português.  

 

Isso me lembra o advogado e gramático de nomeada Napoleão Mendes de Almeida. Ele dizia (e nisto concordo plenamente com ele): “Como respeitar a ideia de quem não respeita o idioma em que a expõe?” E, logo em seguida: “A própria narração jornalística de um fato afigura-se falha de crédito quando o relator mostra inverdades de linguagem.” Caramba, meu: escreveu errado! Como posso acreditar que a notícia está certa?

 

Como posso acreditar que o advogado, o representante do Ministério Público ou o juiz, nas manifestações dentro do processo, empregou corretamente a lei e o Direito, se ele empregou erradamente o Português? Como dizia o mestre Napoleão, não dá para acreditar. Quem se desleixa no falar e no escrever o vernáculo também o faz na aplicação da lei e do Direito. Não aprendeu corretamente o Português. Aprendeu e lei e o Direito? Como? Jamais, meu caro leitor. E o raciocínio vale para qualquer outro segmento da atividade humana. Quanto a isso, que ninguém se engane. 

 

O jornalista que troca, erradamente, fim por final também pode, por incapacidade de raciocínio e de interpretação, trocar e truncar os fatos. O médico que erra no falar e no escrever também erra no diagnosticar a enfermidade e prescrever o medicamento. E por aí vai, meu caro leitor.

 

Fim é substantivo, final é adjetivo. O emprego de final só será legítimo quando o oposto for inicial. Quando, em vez de inicial, couber início ou começo, tem-se que escrever ou dizer fim e não final. Já, ao contrário disso, o antônimo de inicial não é fim, é final: petição inicial, petição final; pedido inicial, pedido final; decisão interlocutória, decisão final, e assim por diante. Também é correto o emprego de a inicial, porque, neste caso, equivale a petição inicial. Se é, no mínimo, estranho dizer ou escrever inicial da semana, por que, então, final da semana? Somente por erro decorrente do desleixo. “Finis  coronat opus” (o fim coroa a obra), diz a máxima em latim. É o fim que coroa a obra, não é o final!

 

 



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 15h09
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EU, AS APOSTILAS, O CORREIO E O INSTITUTO

Sou paraense, de São Domingos do Araguaia (que pertenceu a Marabá até a emancipação de São João do Araguaia em 1961), onde nasci em 6 de março de 1960, filho de pai e mãe analfabetos. E aprendi a ler e escrever aos dez anos, em 1970, com professor particular em casa, o Sr. Rossi Francisco Barros, um homem a quem meu pai pagou para que ensinasse “ler, escrever e contar” a mim e a meus irmãos, José e Raimundo (hoje falecido).

 

Não estudei quase nada em escola convencional, presencial. Tive formação irregular: aprendi a ler em 1970, estudando em casa, durante oito meses. Cursei a distância, por correspondência, o 1.º e o 2.º graus, hoje, ensino fundamental e ensino médio, respectivamente. Depois de ser alfabetizado em 1970, fiquei sem estudar formalmente até 1976, muito embora, ao longo desse tempo, lesse tudo que encontrava pela frente, de livros a bulas de remédio e tudo mais. Em 1976, após fazer um teste, fui matriculado na 4.ª série do 1.º grau, hoje ensino fundamental, na Escola Municipal "José Luiz Cláudio", de São Domingos do Araguaia, e passei em primeiro lugar. Naquele ano, fui o aluno mais bem colocado, em todas as disciplinas, de todo o corpo discente da escola.

 

 Em 1977, devido a São Domingos – ainda um distrito muito atrasado e sem qualquer infraestrutura – não oferecer a 5.ª série, matriculei-me, em abril, no supletivo de 1.º grau por correspondência, do Instituto Universal Brasileiro, por necessidade e por influência da propaganda levada a efeito pelo programa de rádio “Edgar de Sousa”, cujo locutor tinha o mesmo nome.

 

Estudei com dificuldades de toda a ordem, principalmente financeira (meu pai, hoje falecido, pagou as mensalidades com extrema dificuldade). Venci obstáculos quase insuperáveis, pois estudar a distância naquele tempo era muito diferente dos dias de hoje. Éramos eu, as apostilas e o correio precaríssimo de então, no Pará; o instituto, em São Paulo, e os milhares de quilômetros que nos separavam. Comunicação com os professores, nem por telefone, só por carta. Se eu tinha alguma dúvida, era obrigado a escrever uma carta e esperar cerca de trinta dias para receber a resposta. E, se discordasse da resposta ou persistisse a dúvida, teria que escrever outra carta e esperar outros trinta dias ou mais. Havia, demais disso, a discriminação e o desestímulo, pois a maioria das pessoas dizia que eu não aprenderia e que o curso não teria validade.

 

Não obstante tudo isso, aos trancos e barrancos, cego às dificuldades e surdo às críticas, não me demovi, não me deixei abater e concluí o curso. O certificado, que ainda hoje guardo com carinho ao lado do diploma de bacharel em Direito e dos muitos outros diplomas e certificados que possuo, é assinado por Mara Maria Rabelo e datado de 12 de janeiro de 1979.

 

Era, contudo, apenas o começar de uma longa e árdua caminhada, porquanto a pobreza impedir-me-ia de prestar o exame de suplência e receber o certificado de conclusão com direito a seguir estudos regulares. O certificado recebido era apenas de preparo; o de conclusão deveria ser expedido por estabelecimento de ensino oficial (autorizado, fosse público ou particular). E o exame para essa certificação era realizado somente duas vezes por ano, na capital do Estado. Não tive condições de fazê-lo e fiquei, por muitos anos, sem documentação escolar.

 

Malgrado tudo isso, não desanimei. De 1979 a 1991, matriculei-me em vários cursos por correspondência, concluindo uns e outros não. Do Instituto Universal Brasileiro, Matemática Moderna, Supletivo de 2.º Grau e Contabilidade Prática, e, conquanto não os tenha concluído, aprendi muito. Do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), do Centro de Ensino Tecnológico de Brasília (Ceteb – Escola Aberta) e de muitas outras entidades, os cursos – que concluí – de Português, Matemática Comercial, Orientação para o Trabalho, Auxiliar de Escritório, Legislação Trabalhista, Contabilidade Pública, Revisão de Língua Portuguesa e muitos outros.

 

Aprendi muito em todos os cursos. Prova é tanto que, em 1992, já em Xinguara, prestei o exame de suplência de educação geral em nível de 2.º grau (chamado popularmente “exame de massa”) e fui aprovado logo da primeira vez, recebendo, com muita emoção, o certificado de conclusão, que me isentava de histórico de 1.º e 2.º graus e me dava direito a seguir formação regular em qualquer faculdade ou universidade do país. Quase chorei de alegria naquela hora de um dia qualquer já do ano de 1993. Era demais, era a tão sonhada documentação dos meus estudos e conhecimentos!  Parecia um sonho!

 

O certificado de conclusão do 2.º grau, expedido pelo Departamento de Ensino Supletivo da Secretaria de Estado de Educação do Pará, isentava-me, na forma da lei, do histórico de 1.º e 2.º graus. Mesmo assim, fiz questão de me submeter ao exame de massa em nível de 1.º grau. Não era necessário, mas eu queria fazer, por mero capricho. Queria ter um certificado de 1.º grau, como tinham as demais pessoas. E fiz. Daí adveio mais um fato inusitado: meu certificado de conclusão do 1.º grau é posterior ao de conclusão do 2.º grau.

 

Em 1996 – sem fazer cursinho preparatório – prestei vestibular para o curso de Direito da Universidade Federal do Pará – Campus de Marabá, logrando ser aprovado em quinto lugar, à frente de muitos que estudaram nas melhores escolas de Marabá e da capital, além de terem feito cursinho pré-vestibular. Formei-me em 2002 e tive a alegria de ser aprovado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) antes da colação de grau. Sou advogado: meu número de inscrição na OAB – Seção do Pará é 11.121.

 

Hoje, além de exercer a advocacia em Marabá, escrevo artigos e crônicas, que publico nos jornais Correio do Tocantins e Opinião, na revista Foco e nos meus blogues (http://valdinar.zip.net, http://valdinar.blogspot.com e http://vms.uniblog.com.br). Restam-me ainda, dentre outros, os sonhos do mestrado e do doutorado. Sonhos concretizáveis? Sim, por distantes que estejam. Ah!... Para quem ainda não sabe, a forma aportuguesada blogue, da forma inglesa blog, é dicionarizada. Mas isso será assunto de outra crônica.



Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 17h23
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