Falta de sono
Já há algum tempo que venho tentando deixar de dormir tarde, mas não consigo. Não é, contudo, insônia; creio que não. Como se diz, o uso do cachimbo ou coisa parecida faz a boca torta. No meu caso, por conseguinte, deve ser mesmo o costume de, desde a infância, estudar até altas horas da noite. O problema é que esse meu dormir a desoras cada dia fica pior, por mais que eu não queira. Hoje mesmo, por exemplo – aliás, hoje, não: de ontem para hoje, pois já é quase madrugada de 26 de janeiro de 2012, nada mais nada menos do que 15 para as 2 horas –, tentei dormir cedo, sem ler ou estudar à noite, mas não consegui. Deitei-me por volta das 22 horas, que para muitos já é tarde, e fiquei rolando insone na cama até por volta da zero hora, quando resolvi levantar-me. Não conseguia dormir, ficar deitado para quê? Melhor levantar e ler, estudar, escrever, fazer alguma coisa. Pois bem. Levantei-me, li quatro crônicas do livro 50 crônicas escolhidas, de Rubem Braga (“Os Teixeiras moravam em frente”, “As Teixeiras e o futebol”, “A vingança de uma Teixeira” e “Os sons de antigamente”). Comecei a ler esse livro um dia desses – à noite, claro, e anteontem, para ser exato –, quando li a biografia, o prefácio, de autoria de André Seffrin, e a crônica “Coisas antigas”. Deixando o livro, fui ver a correspondência virtual. Abri alguns e-mails e apaguei vários outros sem abrir, mandei para lá, aquele lugar que, pelo menos eu, não sei onde fica nem se existe, tudo que parecia spam e tentativa de phishing. A Câmelha, minha mulher, e meus filhos Daniel e Samuel (o Douglas não sei por onde anda) dormem pesadamente, apenas eu e os cães, Aquiles e Sansão, estamos acordados. E, como os cães estão no quintal, claro, estou sozinho à frente do computador, rodeado de livros, jornais e revistas, desordenadamente jogados na sala sobre a mesa, nas estantes e pelo chão, como sói acontecer todos os dias (aliás, todas as noites) a esta hora. Resolvi navegar pela internet. Passando pelo sítio da Academia Brasileira de Letras, onde li a crônica “Poetas e poesias”, de Carlos Heitor Cony, vaguei por várias outras páginas da rede mundial de computadores, visitei meus três blogues e outros sites, até decidir parar e escrever esta cronicazinha, por certo, desenxabida, uma vez que não tinha nem tenho algo especial para compartilhar com o leitor. Foi isso. Agora, às 2h12, embora ainda sem sono, vou-me deitar e tentar dormir. Puxa vida, até parece insônia. Mas, claro, não é. É apenas inversão de horário, pois acordo tarde todos os dias, sempre. Troco, ainda que involuntariamente, o dia pela noite (ou seria a noite pelo dia? Sei lá! Que diferença faz?). Bom, insônia ou falta de sono explicada e justificada dá quase na mesma, embora uma coisa seja bem diferente da outra. Não era nem é o meu objetivo discutir a insônia.
Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 10h44
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Cidade das Mangueiras
O dia 12 de janeiro é dia de aniversário da cidade de Belém, capital do Estado do Pará, a qual, neste 12 de janeiro, completará 396 anos de fundação, fundada que foi em 12 de janeiro de 1616. É por isso que esta semana veio a lume o informe publicitário Belém 396 Anos, que integra a edição 2.251, datada de 11 de janeiro de 2012, da revista Veja. De uma sentada e com muito interesse, li tudo e relembrei muito da História do Brasil, bem como aprendi coisas novas sobre Belém. Não sabia, por exemplo, que a lindíssima Praça Batista Campos foi eleita em 2005 a mais bela praça do país. Belém faz jus, pela sua arborização, à carinhosa denominação de Cidade das Mangueiras. Sim, linda e acolhedora, tem uma paisagem singular constituída pelo conjunto harmônico da beleza natural do mar, dos rios, das árvores e dos animais com a beleza artificial criada pelo homem ao longo desses quase quatro séculos de sua existência. A Petit Paris dos sonhos de Antônio Lemos, na época em que prefeito se chamava intendente, é uma cidade bonita. Gosto muito da Cidade das Mangueiras, apesar de andar bem pouco por lá, como pouco ou quase nada tenho andado por outros lugares do Brasil. Desde sempre até agora, fui de pouco viajar. Essa, aliás, é uma forma de agir que pretendo mudar: quero, doravante, viajar mais, até para o bem da minha saúde. De viajar, é bom que diga, até que sempre gostei, o que não gosto mesmo é de arrumar e carregar a mala. Algumas vezes, fiquei meses pensando em viajar e, aproximando-se o dia, mudei de ideia e desisti da viagem por causa da mala. Pois bem. Apaixonado que sou pelo Pará, se me fosse dada hoje a oportunidade de escolher a cidade onde nascer, escolheria Belém, com certeza. É. Escolheria a Belém do Theatro da Paz, a Belém das mangueiras, a Belém da linda Baía do Guajará, a Belém de muita cultura, a Belém da chuva da tarde, a Belém da hospitalidade, a despeito da violência hoje tão da índole de todos os agrupamentos humanos de grande porte, a Belém de tantas outras qualidades que a fazem cidade boa e agradável. Se a pessoa ainda não conhece, vale a pena conhecer Belém; se já a conhece, vale a pena visitá-la sempre, pela sua beleza, pela hospitalidade do seu povo, pelos pontos turísticos e culturais (Estação das Docas, Museu de Arte Sacra, Casa das Onze Janelas, Forte do Castelo, Museu de Arte Moderna, Mangal das Garças, Praça Batista Campos, Praça da República, etc.), como muito bem resumidamente mostra o informe publicitário. Ah, sim!... Sou apaixonado pelo Pará, mas votei “sim” no plebiscito de 11 de dezembro de 2011 e vou continuar defendendo essa ideia de emancipação político-administrativa do Estado de Carajás. Isso, contudo, é outra história. Uma coisa nada tem que ver com a outra, claro. Poderei muito bem morar no Estado de Carajás e visitar sempre Belém, como outras cidades brasileiras e do exterior. Por que não?
Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 22h43
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O advogado e o vigilante forense
O sol, a despeito de, desde cedo, escondido pelas nuvens, passara do zênite e eram já quase 13 horas de uma quinta-feira, gostosamente nublada e de clima ameno nada comum para nós – hoje, 5 de janeiro de 2012, mais um modorrento começo de ano como foram os demais por que passei até agora. Sozinho em meu gabinete na Assessoria Jurídica da Câmara Municipal, resolvo ir ao fórum, visitar a sala da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Nada de especial, apenas uma visita trivial de conselheiro, como faço de vez em quando. Vou conversar com os servidores da OAB e os advogados presentes, para me inteirar de assuntos diversos, ver como andam as coisas. Passo antes, mesmo rapidamente, no Hemocentro Regional de Marabá (Hemopa), para visita fraterna ao Dr. Fernando Monteiro, médico e meu irmão de Maçonaria, pessoa de boa índole e de fino trato. Expresso-lhe votos de feliz 2012 e o convido para a próxima reunião da nossa loja, dia 12, após o recesso da Grande Loja Maçônica do Estado do Pará. No fórum, percebo fechado à chave e à tranca com cadeado o portão do muro da frente. A pé, não vejo que, semiaberto, o portão de veículos dá passagem a pedestres. Sem ver ninguém, pego no cadeado do portão de pedestres, para verificar se realmente está fechado ou apenas o aparenta. Ouço a voz do vigilante que vem dos fundos do prédio e, olhando, o avisto. O vigilante, jovem e bem franzino, acercando-se de mim, com ares de desconfiança, posta-se à frente da entrada, com cara de aqui não entra, e pergunta-me o que quero. Sua atitude me afronta, porque, embora sem gravata, trajo mangas compridas e paletó, além do que, conquanto advogue pouco, sou relativamente conhecido como advogado. Respondo-lhe ser advogado e desejar ir à sala da OAB. Ele, contudo, sem ressalvar o plantão nem mudar de atitude, diz-me que está tudo fechado e só funcionará segunda-feira. O deixar de ressalvar o plantão e a sua cara de aqui não entra soam para o advogado como acinte e exigem de mim a natural reação à altura, mais ainda pelo fato de ser conselheiro da Subseção da OAB como sou. “Caramba! Ele está querendo estragar o meu dia e vai-me dar trabalho. Confusão à vista. Mas, embora não a procurasse, não posso nem devo fugir dela. Ossos do ofício” – pensei. Contei mentalmente até dez e resolvi engrossar, chamaria até a Sociedade Protetora dos Animais, se fosse o caso, mas entraria no prédio. Saquei da identidade de advogado e conselheiro de subseção da OAB, disse a ele que fora ver a sala da OAB, mas agora queria ver fórum e falar com quem estivesse de plantão, e que, por isso, iria entrar no prédio. Ele ainda tentou argumentar, mas saiu da minha frente e me seguiu, até perto da porta da sala de distribuição, quando resolveu parar. Fui atendido educadamente pelo serventuário de plantão, Jaconias. Disse-lhe ser advogado e conselheiro, perguntei-lhe quem era o juiz de plantão e expliquei-lhe que não queria nada. Apenas fora visitar a sala da OAB, mas encontrara resistência anormal na entrada do fórum e resolvera entrar no prédio, mesmo com a sala fechada. Ele me franqueou a ida à sala, se tivesse chave de lá e quisesse ir. Mas eu queria somente demonstrar ao vigilante que, ainda que não fosse conselheiro, depois de identificado como advogado, não poderia ser impedido de entrar no prédio. Agradeci, por conseguinte, ao serventuário e saí. À saída, conversei, muito rapidamente, com o vigilante. Expliquei-lhe que, como advogado, o fórum é um dos meus locais de trabalho, de forma que, depois de me identificar formalmente, ninguém deveria tentar impedir-me a entrada. Ele pareceu compreender, pois me pediu desculpas. Saí e voltei para a Câmara, um pouco aborrecido. A irresponsabilidade e inabilidade no atendimento do Estado, somadas à negligência das boas relações humanas, só podem produzir maus serviços, sofrimentos e miséria.
Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 23h11
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Sou evangélico e maçom
Cadastrado no “site” http://www.midiagospel.com.br, para receber por “e-mail” notícias relacionadas ao Evangelho, recebi a notícia intitulada “Fotos do Pr. Silas Malafaia são adulteradas para ligá-lo à Maçonaria”, cujo “link” é este: http://www.midiagospel.com.br/noticia/religiao/fotos-do-pr-silas-malafaia-adulteradas-maconaria. Também assisti, no mesmo “link”, ao vídeo em que o pastor Silas Malafaia, a título de resposta, diz que não pertence à Maçonaria nem ao G-12 e, ao mesmo tempo, tece comentários acerca do assunto. Achei correta e bonita a resposta em relação ao G-12. Discordei, todavia, quando o pastor disse que não pertence a sociedade secreta alguma e, sem dar mais explicação, disse que o estavam caluniando e difamando. Ou seja, ele – creio que até sem a intenção de fazê-lo – deixou implícito que chamar alguém de maçom é o mesmo que caluniar ou difamar essa pessoa. Isso, entretanto, não é verdade. Até porque, como maçom que sou, sei que deve ser motivo de honra para alguém ser chamado de maçom ou relacionado à Maçonaria. Tenha a honra de pertencer à Maçonaria, desde 1.º de fevereiro de 2007, quando, pela iniciação, fui recebido na Loja Maçônica Firmeza e Humanidade Marabaense, n.º 6, da jurisdição da Grande Loja Maçônica do Estado do Pará. Na Maçonaria Simbólica, sou mestre maçom, grau 3 (último grau). Nos Graus Filosóficos, sou eleito dos nove (grau 9, nono dos 33). Eis a razão por que deixei, à guisa de comentário da notícia de Malafaia, o que se lê em seguida e agora dou publicidade ao assunto nos meus blogues, desejando tão somente ser compreendido. Sou evangélico e sou maçom. Como evangélico, sou membro da Igreja Presbiteriana do Brasil; como maçom, sou membro da Grande Loja Maçônica do Estado do Pará. A Igreja Presbiteriana do Brasil, assim como outras denominações evangélicas hoje, é contra a Maçonaria, por pura ignorância. Aliás, no caso da Igreja Presbiteriana do Brasil, além da ignorância, existe também a ingratidão, pois tal denominação deve muito, mas muito mesmo, à Maçonaria. Posso provar historicamente isso. O pastor Silas Malafaia falou muito bonito e correto em relação ao G-12, mas falou feio e erradamente em relação à Maçonaria quando deixou implícito que dizer que alguém é maçom significa caluniar ou difamar essa pessoa. Não, não é, pastor Silas Malafaia. Vossa Senhoria tem todo o direito de não querer ser maçom e não querer ser do G-12 ou, ainda, de qualquer outra entidade ou instituição. Sim, tem. Procure, no entanto, por favor, saber exatamente o que significa "caluniar" e "difamar", pois tais verbos, que representam institutos jurídicos, nada têm que ver com o sentido dado por Vossa Senhoria. Sou também advogado, formado pela Universidade Federal do Pará, e tenho conhecimento prático e acadêmico do que significam as palavras "calúnia" e "difamação". Quero dizer também – na condição de advogado, maçom e evangélico, mas, principalmente, na condição de cidadão brasileiro e homem de vergonha na cara – que, se é adulteração, não apoio essa adulteração de fotografias do pastor Silas Malafaia, assim como não aprovaria a adulteração de fotografias de quem quer que seja. Isso é, no mínimo, canalhice. E, como canalhice, precisa ser combatida, refutada, punida.
Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 03h42
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Dois dedos de prosa
Só dois dedos de prosa, caro leitor, para não deixar passar em branco o fim de ano, sem uma crônica, que fale de uma coisa qualquer. Atendo com isso à minha vontade de escrever algo e, principalmente, à amável sugestão do Claudinho (Cláudio José Pinheiro Filho), meu colega de trabalho, assessor de comunicação da Câmara Municipal de Marabá. É que o Claudinho, conversando comigo, ontem, em meu gabinete, perguntou-me se não sairia uma crônica de fim de ano. “Ah, vai sair, sim!” – respondi. Pronto, aqui está ela. Hoje são 30 de dezembro. Acabou-se o ano: foi-se 2011 e vem aí 2012. E agora, escrever o que a esta altura? São tantos assuntos para dois dedos de prosa, que fica até difícil escolher, eleger um ou alguns. São dias de muita alegria, de viagens, de festas, embora eu não tenha viajado. Já disse algumas vezes que são dias de reflexão, agora não digo mais. Claro, ninguém ou quase ninguém, reflete nesses dias. Tudo se deixa para depois, para o próximo ano. Pois bem. Não quero falar de algo especial, de coisa séria. Não. Queria mesmo neste momento estar rodeado de alguns amigos, para falarmos de amenidades, de coisas do dia a dia, descontraidamente, comemorando tudo. Isso é que é bom e vale muito mais do que muitos assuntos sérios de que se ocupam tantos por aí. Dizer o quê? Sei lá!... O ano já passou mesmo. Deixemos, portanto, as coisas sérias para o próximo ano. Existem demais as tais coisas sérias, aliás, sérias até demais, para a gente se preocupar com elas às vésperas de fim de ano ou, como se queira dizer, às vésperas de ano-novo. Falemos de amenidades ou, então, não falemos de coisa alguma. A crônica, aliás, presta-se muito bem para isso, para tratar, descontraidamente, de assuntos aparentemente sem importância, amenidades. Também para dizer muito sobre coisa alguma, dizer nada de nada, apenas por querer, principalmente quando se trata de uma crônica de fim de ano. Ah, a vida é curta demais para ser levada tão a sério! É isso. Só isso, nada mais. Bom, foi-se aí o espaço de uma crônica. Vou parar por aqui. Falei muito sobre coisa alguma. Espero não ter decepcionado o Claudinho nem meus demais amigos e leitores. Não queria dizer muita coisa mesmo, só queria dizer que a vida não deve jamais ser levada tão sério, porque isso não adianta mesmo (cheguei a essa conclusão) e, principalmente, porque morrem os sérios, como morrem os brincalhões, os descontraídos. Dizem, aliás, que os sérios morrem mais depressa. Bom, isso eu disse. Em 2012, se Deus quiser, a gente conversa mais. Feliz ano-novo! Feliz 2012!
Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 22h22
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A Antevéspera do Natal e o Jardim do Parlamento
Sexta-feira, 23 de dezembro de 2011, um pouco mais das 13 horas. Saio, pela porta do fundo da Câmara, para, contemplando o jardim, tomar um fôlego, à minha maneira. Existem vários pés de mogno, além de ipês e outros vegetais, no jardim da Câmara Municipal de Marabá. São mais de vinte pés de mogno – 24 ou 25, mais ou menos – hoje com cerca de cinco ou seis metros de altura, plantas ainda muito jovens, que haverão de crescer muito, em altura, exuberância e beleza arbóreo-amazônica. No corre-corre do cotidiano, talvez passem despercebidas para muitos, conquanto sejam tão belas. Eu, contudo, gosto de admirá-las diariamente, à minha maneira, num diálogo (mudo, embora eloquente), entre as árvores e o homem da terra, amante da natureza e da Amazônia em especial que sou. Tenho a impressão, às vezes, de que essas árvores, alheias à maldade dos humanos, saúdam poeticamente a quem entra e quem sai. Lógico que isso é apenas uma forma de ver as coisas, mas é verdade. Há quase sempre passarinhos, que voam de galho em galho, de uma árvore para a outra, e cantam. Puxa vida, é impossível não perceber essa beleza e a simbiose altamente benéfica para nós, os humanos, entre a tecnologia de que desfrutamos no interior do prédio moderno do Parlamento e a natureza representada pelo jardim, com sua fauna e sua flora. Sim, fauna e flora, embora a flora seja bem mais rica que a fauna. É natural que o seja, claro, como é natural que alguns digam que estou escrevendo tolices. Ah, que se danem! Sou servidor de carreira do Poder Legislativo do Município de Marabá, tendo ingressado por concurso público de provas e títulos, na forma da Constituição da República e das leis. Tenho orgulho disso, até porque – falsa modéstia à parte – tenho a convicção inabalável do cumprimento, ao longo dos anos, da parte que me cabe. Tenho, semelhantemente, orgulho e muita gratidão pelo prédio novo que o povo nos deu. Sempre soube reconhecer a sua importância, o seu valor e, por consequência disso, o dever que Vereadores e servidores têm de prestar um serviço à altura da imponência e beleza das instalações que ocupamos. Antevéspera do Natal. Aprovou-se o orçamento do Município para o exercício financeiro de 2012 – mais de meio bilhão de reais! – e estamos saindo para o recesso parlamentar. Aqui, às voltas com minhas ansiedades, medos e inquietações, a reflexão sobre o ano de 2011, que vai, e o ano de 2012, que vem. O que queríamos? Conseguimos? Não conseguimos? Por quê? Qual foi nossa atuação?... E agora, o que queremos? Conseguiremos? Para onde vamos? O que é prioritário para 2012? Qual a parcela individual de responsabilidade de cada um de nós?... Não é algo da boca para fora, mas, de fato, uma reflexão interior e profunda. Tenho muita dificuldade com isso, porque, não raro, nos faltam respostas que convençam. Não existe a sinceridade necessária nas pessoas. Não são poucas as ações danosas e as omissões criminosas de muitos, nas entranhas imundas de um Estado, ocioso e corrupto, que desampara. Tenho medo do futuro, em compasso de ansiedade que quase mata, por causa do semelhante! Não é ilusão nem hipocrisia, não: é a convicção assustadora da realidade.
Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 15h40
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Dar comida aos cãos
“Vou dar comida aos meus caos.” Essa é a frase que costumo dizer, quando vou alimentar meus cães, Sansão e Aquiles. O plural de “cão”, quando se refere ao animal, é “cães”, sabemos disso. Eu, contudo, por brincadeira, digo “cãos”, pois não são poucos os que, ouvindo isso, vão pensar que o plural “cãos” não existe. Claro que existe, conquanto o significado seja outro. “Cãos” é o plural de “cão”, substantivo masculino, que significa cabelos embranquecidos pela idade, embora muitos falantes do português só conheçam a forma “cã”, substantivo feminino, cujo plural é “cãs”. Aliás, pelo menos no Brasil, o que mais se emprega é o plural da forma feminina, havendo, por conseguinte, quem nem sequer saiba que existe o singular “cã”. Há outros significados para palavra “cão”, significados estes que deixo, propositadamente, de registrar. Informo, todavia, para curiosidade do leitor, que não me refiro ao significado popular e regionalista diabo. Os significados a que me refiro estão, por exemplo, no Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora, de Lisboa, Portugal. E em outros bons dicionários também, é claro. Basta dar uma conferida, até porque é agradável ler dicionário. Bom, pelo menos eu acho. Há pessoas e pessoas que têm um conhecimento muito limitado da língua portuguesa, mas, a despeito disso, se arvoram de conhecedoras e, com muita frequência, se atrevem a dizer que isso ou aquilo está errado, quando, na realidade, está certo e elas é que não o sabem. Ih, como já vi muito isso acontecer! O indivíduo pensa que a coisa está errada e já sai alardeando, como se tivesse a certeza que não tem. Lembro-me, por exemplo, de duas irmãzinhas meio idiotas lá de Xinguara, as quais, ao me virem dizer, como dirigente, “convido a igreja a, de pé, ler o texto tal da Bíblia”, pensaram logo que falava erradamente e, lá se foram elas, abobalhada e descaradamente, procurar nos dicionários a palavra “adipé”, pois julgavam que não existia. E, como não a encontraram, ficaram comentando a coisa entre si. Haja paciência para suportar tanta asneira! Isso faz muitos anos, mas, sempre que me lembro da petulância desbragada das irmãzinhas santas, não deixo de me aborrecer um pouco. As tais irmãzinhas, se tivessem sido honestas e seguido o que diz a Bíblia, em vez de ficarem comentando entre si, ter-me-iam perguntado se tal palavra existia. E aí, lógico, eu lhes explicaria, com todo o carinho, que esse “de pé” aí da minha frase é adjunto adverbial de modo, substituível pelo também adjunto adverbial de modo “em pé”, que muitos iguais a elas pensam ser a única forma correta. Ter-lhes-ia dito também que, “adipé”, se existisse (como não existia), seria substantivo, adjetivo ou coisa parecida e não se prestaria para emprego no contexto em que eu empregava “a, de pé,...”. Registro, para concluir, que as tais sabichonas cursavam o ensino médio e trabalhavam no comércio, razões pelas quais não deveriam ser tão ignorantes como eram. Mas eram, e – o que é pior – continuam sendo. Passam-se os anos e elas mudam apenas de idade, as atitudes e a ignorância continuam as mesmas.
Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 01h04
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Esperança
Leio a Primeira Epístola de Pedro, capítulo 3, versículo 15. E me detenho na parte final, que diz “e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós”. Esperança. A Bíblia diz que as pessoas precisam ter esperança. Aliás, a Bíblia afirma aí que os cristãos têm esperança, não uma esperança vã, mas uma esperança que tem razão, e razão exigível, explicável, compreensível. É isso que o missivista diz aos destinatários. Pedro falava, é claro, da esperança de salvação. As pessoas, contudo, precisam também de esperança material, porque vivem tempos difíceis. São tempos de desamor, iniquidade, falência do Estado e do Direito estatal: tudo está mais para desespero do que para esperança. E não há palavra uniforme a respeito. Os materialistas negam a esperança do porvir fora da existência física; os espiritualistas, a esperança que não seja da existência imaterial, espiritual. Digo aí espiritualistas e materialistas no sentido comum, de visão exagerada, ora somente espiritual, ora somente material. E discordo deles, porque penso – sem olvidar ser imemorial esse pensar – que a razão está no meio. Claro, meden agan, como já diziam os gregos, moderação. Todo extremo é perigoso, porque a virtude está no meio. Isso vale para tudo, em todas as áreas da atividade humana. Não faz sentido algum relegar a felicidade inteiramente para a vida no além, da mesma forma que não passa de extrema loucura pensar a felicidade apenas no mundo material. O ser humano precisa ser visto, pensar e agir de forma holística, porque é corpo e alma, ao mesmo tempo, um todo físico e um todo espiritual. É por isso que precisa ter esperança, tanto material quanto espiritual. A vida não se resume apenas à existência física e, muito menos, apenas à existência espiritual. Ainda bem. Ninguém deve abdicar da vida física em plenitude e aceitar como normal a pobreza, menos ainda a miséria. Pobreza e miséria não são condições naturais da vida, são consequências da desigualdade, da exploração do homem pelo homem. Por que uns com tanto e outros sem nada? Por quê? Sei lá! A resposta depende da visão de quem responde. Salomão, o Pregador do Eclesiastes, ensinava: “A melhor coisa que alguém pode fazer é comer e beber, e se divertir com o dinheiro que ganhou. No entanto, compreendi que mesmo essas coisas vêm de Deus” (Ec 2.24). E Paulo, o apóstolo dos gentios, escreveu: “Se a nossa esperança em Cristo é somente para esta vida, somos as pessoas mais infelizes deste mundo” (1 Co 15.19).
Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 14h19
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Chegou dezembro
Chegou dezembro e vêm aí o Natal, o fim do ano velho e o começo do ano novo, a tríade de alegria e esperança! É tempo de festa, de alegria, de gratidão pelo que aconteceu e de esperança do que acontecerá! Por isso e tudo o mais que não sei expressar, gosto muito do Natal, desse clima gostoso de música, de casas e ruas enfeitadas com luzes coloridas, desse aflorar da solidariedade, não raro, reprimida ao longo do ano. Natal é a comemoração do nascimento de Jesus, o Cristo e também filho unigênito de Deus, dado para morrer em favor do seu povo e ressuscitar para voltar a Deus, o Pai, que o deu. A vinda, vida, morte e ressurreição do Cristo de Deus estão registradas nos Evangelhos e até em outros livros da Bíblia, livro sagrado dos cristãos. Em todo aniversário, o mais importante é – e sempre deverá ser – o aniversariante. Se não for assim, a festa será em vão, porque a comemoração não terá sentido. Reflitamos, pois, sobre isso. Natal não é somente o tempo de dar e de receber presentes, conquanto, infelizmente, seja esse o aspecto a cada ano mais acentuado no mundo ilusório e cruel dominado pela ânsia inglória do ter em vez do ser. Natal é, antes e acima de tudo, tempo de reflexão, de pensar na transitoriedade da vida física, na existência ou não de vida após a morte, na insignificância provada e comprovada das coisas materiais, que ninguém leva para o além-túmulo (aliás, nem mesmo para o túmulo). Existe – é claro e eu jamais me esqueço disto – a verdade de que o Natal, 25 de dezembro, é apenas uma convenção, porque a Bíblia não registrou nem o dia nem o mês em que Jesus Cristo nasceu. É muito interessante isso, mas não é disso que estou falando. Falo dos outros aspectos, até porque, queira-se ou não se queira, a comemoração existe, o que, por si só, representa excelente oportunidade para se ensinar sobre o Cristo de Deus e sua obra redentora, salvadora de seu povo. Portanto, se ainda não o fez, neste Natal, faça diferente. Contemple ainda mais a beleza da natureza, das ruas e casas coloridas, a alegria esperançosa das pessoas no porvir, deixe-se enlevar pela beleza da música natalina, dê presentes, receba com gratidão os presentes que lhe derem, vá às festas, comemore, viva plenamente. Se já o fez, faça de novo. Isso é bom, muito bom. Faça, como lhe disse, tudo isso. Não se esqueça, porém, de que Jesus Cristo morreu, segundo o plano e beneplácito de Deus, para salvar a quem nele crê. Sem crê em Jesus Cristo – diz a Bíblia –, ninguém será salvo. Sei, é claro, que existem outros credos e, por conseguinte, quem não crê na Bíblia. Não posso mudar isso. Tudo bem, cada um com a sua fé. Eu, contudo, escrevo para quem crê como eu creio. Vamos viver e comemorar o Natal, mas desse jeito. Tenha fé, tenha esperança e faça o que lhe couber fazer para que o próximo ano seja realmente um ano muito melhor do que este, o qual – não seja ingrato jamais – foi bom. Encerro lhe dizendo como diz a Bíblia: “O SENHOR te abençoe e te guarde” (Nm 6.24).
Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 13h19
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Aprovações Obrigatórias na Criação de Um Estado
De acordo com a Constituição Federal de 1988 e a Lei de Plebiscitos e Referendos (Lei n.º 9.709, de 18 de novembro de 1998) a criação de um Estado – juridicamente, dizemos Estado-membro –, passa obrigatoriamente por, no mínimo, quatro discussões e aprovações decisivas. Tenho dito isso com frequência. A primeira delas é a aprovação do decreto legislativo que autoriza a realizar o plebiscito. A segunda (e mais difícil, porque envolve grande número de participantes) é o plebiscito. A terceira é a aprovação do projeto de lei complementar de criação do Estado, quando a decisão plebiscitária é favorável à criação, quando a decisão é “sim”. A quarta e última é a sanção do presidente da República. Poderá haver, ainda, a quinta discussão e aprovação, se o presidente da República resolver vetar o projeto de lei complementar aprovado, o que, em tese, é muito difícil acontecer, mas, juridicamente, é possível, pois quem tem o poder de sancionar também tem o poder de vetar, embora deva fazê-lo sempre motivadamente. Se o presidente veta o projeto de lei e o Congresso Nacional rejeita o veto, o que era apenas projeto aprovado se transforma automaticamente em lei, a qual obrigatoriamente será promulgada, ou pelo presidente da República, ou, na omissão deliberada deste, por quem de direito, conforme a sucessão ditada para isso pela Constituição. Como se vê, a primeira, a terceira e a quinta decisões são tomadas por várias pessoas, a saber, pelo Congresso Nacional, composto de deputados federais e senadores da República. A segunda é tomada por muito mais pessoas ainda: pelo povo chamado na Constituição e na lei de população diretamente interessada (e que, ninguém se esqueça disso, o Supremo Tribunal Federal já decidiu ser a população do Estado todo). A quarta é tomada por uma só pessoa, o presidente da República. Ora, é desnecessário dizer, a esta altura, porque esta ou aquela decisão é mais difícil, mais complicada. É por causa dos interesses e do número de pessoas envolvidas, claro. No caso atual – criação dos Estados-membros de Carajás e Tapajós –, estamos no momento mais difícil, o plebiscito. Puxa vida, quero muito, muito mesmo, que esses Estados-membros sejam criados. E o quero por uma série de razões – desapaixonadamente o digo, porque racionalmente o vejo –, mas, principalmente, pelo progresso e desenvolvimento em todos os sentidos dos novos Estados e do Estado remanescente. Não posso entender por que pessoas daqui – ainda que, felizmente, sejam, como de fato são, muito poucas – dizem que votar “não”! Por mais democrático que eu queira ser, não consigo ver uma decisão dessas com bons olhos, como algo racional, aceitável. A indisposição do povo de lá até que dá para entender, para aceitar, uma vez que, aparentemente, só nós seríamos os beneficiados, mas a indisposição, a má vontade tola do povo daqui, não! Só para ter uma ideia, a área do Estado do Pará como um todo, que hoje tem apenas três senadores, passará a ter nove! E nós, dileto leitor, queiramos ou não queiramos, dormimos e acordamos sob – “debaixo de”, para os curtos de inteligência – consequências diretas da boa ou má, grande ou pequena, atuante ou omissa representação política que temos no Congresso Nacional e nos demais parlamentos. Logo, se estiver vivo, como espero estar, votarei “sim”, pela criação dos Estados-membros de Carajás e Tapajós, porque eu quero muito a felicidade dos meus filhos, netos e demais descendentes. Não posso jamais negligenciar essa oportunidade ímpar que me é dada para isso. Faço o mesmo, meu leitor! Faça o mesmo! "Pois é certo que haverá um futuro; e a tua esperança não será aniquilada" (Provérbios 23.18).
Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 14h36
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O martírio do cão Lobo
“Morre Lobo, o cão arrastado por ruas de Piracicaba (SP)”, eis aí manchete da página do UOL Notícias, na rede mundial de computadores, hoje, 16 de novembro de 2011, manchete que me deixou triste e muito irado contra o infeliz agressor, cujo nome deixo de registrar por julgá-lo indigno de figurar na minha crônica. Lobo foi um cão da raça rottweiller que nasceu, presumo, em Piracicaba, São Paulo, onde também foi absurda e covardemente supliciado e morto por quem, mais do que todos, tinha a obrigação moral, legal e jurídica de protegê-lo. Foi vítima de um crime cruel contra a natureza e todo crime contra a natureza é também um crime contra a humanidade. A morte do Lobo foi um crime cruel (e hediondo, por que não?). Se não foi doloso, como penso ter sido, foi culposo. E, doloso ou culposo que tenha sido, clama or justiça, a saber, pela punição do criminoso. Ele foi arrastado, cruel, covarde e desumanamente, por um automóvel em alta velocidade, dia 2 de novembro, conforme amplamente divulgado pela mídia. Foi um crime contra o meio ambiente. A prática de ato de abuso, de maus-tratos, dentre outras, contra animal doméstico é tipificada como crime pelo artigo 32 da Lei n.º 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. E foi um crime hediondo, não no sentido técnico-jurídico da expressão, porque, infelizmente, não está tipificado como tal, mas hediondo no significado comum, que é de repugnante, sórdido, repulsivo, horrendo. Agora o infeliz que o matou diz à Polícia que foi acidente, por não ter visto o cão cair da carroceria do veículo. Ele diz, mas eu não acredito. Não acredito e espero que as autoridades encarregadas do caso também não acreditem, não caiam nessa, por ser algo totalmente desarrazoado. Não se deve aceitar o desarrazoado, o absurdo. Há razões de sobra, no caso da morte de Lobo, para não aceitar a versão do acusado, dentre as quais realço duas: a declaração das duas testemunhas que, segundo a mídia, confirmam a intenção dolosa e confessada por ele de matar o pobre animal, e o fato de que, sendo um cão de grande porte, era impossível ele cair da carroceria do carro e a queda passar despercebida. Era um cão de grande porte, por causa da sua raça. Era, contudo, um cão muito bonito e, por certo, um cão alegre, brincalhão, que se alegrava com a presença de seu dono, como se alegram todos os cães. Eu vivo isso todos os dias, pois tenho dois cães, um deles inclusivamente muito parecido com o Lobo. Mas Lobo foi morto covardemente – repito – por esse dono, que tinha a obrigação de protegê-lo! Isso, por si só, é suficiente para a busca incansável e, por fim, aplicação, na forma da lei, da punição merecida. Espero que a Sociedade Protetora dos Animais, a Prefeitura Municipal de Piracicaba, o Ministério Público e o Poder Judiciário, cumprindo cada um deles a sua missão institucional, o seu papel, não aceitem essa versão absurda e covarde do agressor e, por isso, lhe apliquem a punição devida. A morte de Lobo não pode ficar impune!
Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 13h50
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Quero minha família de volta
Aconteceu-me por duas ou três vezes na infância dormir à tarde e acordar à noite com a sensação de que dormira a noite inteira e acordora somente no outro dia. Creio que isso, como aconteceu comigo, aconteceu com muitas pessoas. Eu acho, não sei os outros, mas, como não sou nenhum ser do outro mundo, creio que isso é normal. Neste domingo, 13 de novembro de 2011, aconteceu algo parecido. Muito cansado, dormi por volta das 16 horas – após chegar da feijoada beneficente promovida, na Loja Maçônica Pioneira da Transamazônica, n.º 44, pelo Capítulo DeMolay Pedro Marinho de Oliveira, n.º 220 – e acordei exatamente às 19h5, com a terrível sensação de “quero a minha família de volta!”. O quarto estava escuro e a casa toda em silêncio, parecia que todos haviam saído e me abandonado sozinho a dormir. Somos da Igreja Presbiteriana do Brasil e, por ser noite de domingo, pensei mesmo que eles haviam ido para a igreja. Era, contudo, apenas impressão minha. Abri a porta do quarto e vi que o Samuel e o Daniel assistiam à tevê, na sala principal, e a mãe deles, na minha biblioteca, trabalhava ao computador, revisando uma entrevista sobre educação inclusiva que sairá numa publicação da Universidade Federal do Pará – Campus de Marabá. Lembrei-me do tempo de criança e pensei em escrever algo. É agradável lembrar essas coisas. Lembrei-me também do filme de comédia Esqueceram de Mim: esquecido em casa pela família, que viajara no feriado, Kevin, o molequinho sapeca, depois de muitas peripécias e traquinagens, fica acuado e, à beira do desespero, grita que quer a sua família de volta. Gosto muito de Esqueceram de Mim, pelas boas risadas que proporciona e pelas lições de vida que transmite. Falar de tevê, lembra-me o Chaves. Incrível. Por certo, muitos vão dizer que é matutice minha, mas assisto ao Chaves desde 1979, 1980, por aí assim. São sempre as mesmas cenas, claro, mas continuo gostando de assistir e o faço sempre que tenho tempo disponível. Comecei a assistir ao Chaves juntamente com o Douglas, meu primeiro filho, que completou 24 anos em janeiro de 2011, e continuo a fazê-lo em 2011, com o mesmo prazer, juntamente com o Samuel, até agora meu caçula, que completou 6 anos em abril. Pode parecer que é porque sempre fui muito pobre. Pobre é assim mesmo. Fazer o quê? Sou matuto e pobre. E daí?... Azar de quem não gosta de matuto nem de pobre! Pode parecer, mas não é. Não é somente por isso, não. É pela ironia, pela denúncia social e, acima de tudo, pela ternura. Como diz seu inteligente criador, Roberto Gómez Bolaños, no prefácio do livro Diário do Chaves, o menino Chaves é “perfeita encarnação da ternura”. Credito a perenidade do Chaves à sua simplicidade, que fala à mente e ao coração das pessoas. Claro, elementar: nem tudo na vida é o que parece ser. “A verdadeira sabedoria consiste em saber como aumentar o bem-estar do mundo”, dizia Benjamin Franklin. “Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que não existem milagres e a outra é que tudo é um milagre”, dizia Albert Einstein. Não sou maniqueísta, mas penso que Einstein mandou muito bem aí.
Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 11h22
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Marabá, minha Marabá
Marabá não pode contar com a minha poesia porque não sou poeta. Sua beleza, no entanto, jamais precisaria de poetar claudicante e mixuruca, dispensa apresentação porque fala por si mesma. Cá para nós – ainda que digam maculado de suspeição filial o nosso ver, apreciar e amar – seus dotes naturais por si mesmos se expressam na sua pujança inigualável, porque, já diz o nosso brasão, com a ajuda de Deus, chegaremos às estrelas (“Favente Deo ad astra vehimur”). Temos rios, não simplesmente rios, mas belíssimos rios; praias, não marítimas, mas fluviais, que não são apenas praias, são praias belíssimas, como belíssimas são nossas mulheres. A mulher marabaense é linda, belíssima, como mais linda, mais bela fica a mulher que aqui aporta! Temos poetas, que cantam a beleza sem par da nossa terra. Por mais que, na visão estéril de quem a tudo apouca e amesquinha, isso pareça inexpressivo, penso o que penso, sinto o que sinto, digo o que digo. Não temos Avenida Atlântica nem Copacabana, a princesinha do mar; temos, porém, Orla Sebastião Miranda, beleza e orgulho nosso à margem tocantina, e temos Marabá, que é apenas Marabá, não é Pioneira nem Velha nem qualquer outra adjetivação desse jaez que se lhe queira pôr. Nossas praias belíssimas e agradavelmente acolhedoras, como a do Tucunaré e a do Geladinho e tantas outras, são banhadas a um só tempo pela água tocantina e pelo sol marabaense, tão belo quanto os outros sóis do Pará, do Brasil e do mundo. O céu vespertino da Praça Duque de Caxias tem o azul mais bonito que conheço. A VP-8, com suas sumaúmas, ipês, patas-de-vacas, jatobás e outros mimos faz por deleitar o transeunte que por ela passa tal qual o faz a Praça Duque de Caxias, com seus já quase centenários oitizeiros e mangueiras, e também os mais recentes exemplares de ipê e pau-preto. A Praça do Mogno, na verdade um bosque reflorestado, já pelo nome dispensa apresentação e comentários. De igual modo é a Alameda do Maneco, túnel verde de bambus, que ornamenta e refrigera o entrar em Marabá e dela sair a qualquer hora. E o bosque da escola do Serviço Social da Indústria (Sesi)? Ah, me faltam as palavras para dizer da sua arborização! Mas, é só isso? Não! Temos a Transamazônica, que, aliás, para mim, dentro da cidade é avenida e deveria ter denominação própria. Rodovia é “via rural pavimentada”, algo bem distinto de via urbana – não sou eu quem o diz, é a lei de trânsito que o define. Isso, todavia, não vem ao caso, pois, avenida ou rodovia, ela é lindíssima, com sua arborização de palmeira-imperial, coco-dendê, pau-preto, jatobá e até pequiá, da ponte do Rio Itacaiunas até desaparecer na floresta (digo, onde havia floresta), rumo a outras plagas. Como descrever os pés de mogno, exuberância arbórea de beleza altaneira, que parecem saudar, não somente a mim, quando chego para trabalhar e quando saio, não raro cansado, de volta para casa, mas a todos, marabaenses ou não, que visitam o prédio do Parlamento Municipal, local em que o povo, bem ou mal, continuamente vive a legislar? É muito agradável vê-los e contemplá-los como obra perfeita dentre tantas das mãos divinas! Eles estão lá, todos os dias, imperturbavelmente garbosos, haja chuva ou faça sol. É isso. Marabá é tudo isso e muito mais que não sei dizer! Mas não precisa dizer mais, não é necessário. Quero, por conseguinte, que me seja permitida a repetição, por certo paupérrima, mas sem nenhum exagero, para parafrasear, à guisa de síntese muita apertada, o que já disse em poema dedicado à mulher, e finalmente dizer: Nem é preciso falar,/ Basta contemplar e amar,/ O que ela é, o que ela tem,/ Marabá, igual a ti lugar não há!
Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 17h57
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A boa leitura e a boa conversa
Gosto de falar da minha admiração profunda pelos cronistas Rubem Braga, falecido, e Carlos Heitor Cony, para nossa alegria e felicidade, vivo e ainda bem vivo. Também por vários outros, dentre homens e mulheres, claro, mas esses dois em especial. Pois bem. São 2h59, em nosso horário, que não é o horário brasileiro de verão. Estou findando, neste fim de noite e começo de dia, minhas atividades noturnas. E, não poderia ser melhor, faço-o com chave de ouro, a saber, com a leitura da crônica “O suor e a lágrima”, de Cony, publicada pela Folha de São Paulo, edição de 19 de fevereiro de 2001. Leitura no blogue literário Voo da Gralha Azul. Puxa vida, a despeito da simplicidade do assunto tratado e da reduzida quantidade de palavras empregadas pelo cronista, “O suor e a lágrima” é uma das mais belas crônicas que já li. Tinha que ser realmente com essa bela página o encerramento das minhas atividades de hoje, sem dúvida, para que não deixasse passar em branco o meu dia, sem escrever algo. Ler e escrever é o que me mantém de pé, com vida, sem exagero o digo. Não foi sem razão que, após me receitar remédios para depressão, em 2010, o Dr. César Antônio Rodriguez Montes, meu cardiologista, como último conselho ou recomendação daquela consulta, disse-me: “Procure fazer o que gosta. Por exemplo, sei que gosta de ler e escrever. Continue fazendo isso, que vai lhe fazer bem.” Claro, eu segui o conselho do meu médico, porque sei que ele quer o melhor para mim. Confio no meu médico, porque sou advogado e exijo que meus constituintes confiem em mim. “Ao médico e ao advogado não se mente”, já diziam os romanos. E eu sempre friso isso na conversa profissional com os que me procuram os serviços. E sempre lhes digo: “Se você não confia no seu médico ou advogado, mude de profissional, porque essa relação tem que ser de inteira confiança.” É das minhas leituras e da conversa com amigos e parentes que, diariamente, tiro a força necessária para encarar a vida e ser feliz. Na tarde de hoje (tarde de ontem, aliás, já que estamos bem depois da zero hora), por exemplo, conversei por longo tempo, no Messenger, com o Dr. Carlos Magno, meu ex-colega de Câmara Municipal de Marabá, hoje juiz de direito de Nova Timboteua. Como foi boa, alentadora, confortante, revigorante a nossa conversa! É isso. Li e escrevi. Também tomei muitos remédios e fiz um variado número de outras atividades. É hora de ir dormir. Fá-lo-ei agora. Que o Criador seja servido de me fazer depois acordar e continuar vivendo!
Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 12h23
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Banho de Chuva
Depois de muitos anos, voltei a tomar banho na chuva, ato simples, mas agradável, muito agradável. Aliás, as coisas simples da vida são sempre muito agradáveis. É muito bom tomar banho, descalço, na chuva, como eu fazia na infância e na adolescência, juntamente com meus irmãos um ano e dois anos mais novos do que eu: José e Raimundo. Falar de coisas simples da vida me faz lembrar sempre que a Bíblia diz que as coisas encobertas, os mistérios, pertencem a Deus, mas as coisas reveladas pertencem a nós e a nossos filhos, para sempre. Está escrito lá em Deuteronômio, capítulo 29, versículo 29. Bom de decorar, não é?... Não vou entrar em pormenores de hermenêutica, exegese, interpretação desse texto. Não, porque esse não é meu objetivo aqui e, principalmente, porque, para mim, ele é muito claro. Demais disso, penso que não tenho a formação acadêmica exigida para tal, deixemos isso para os doutos. A gente precisa viver a vida como a vida é, tomar posse das coisas boas, que são simples, mas importantes e belas, deixar de sair por aí à procura de coisas difíceis, de complexidades. Há outra passagem bíblica, dentre muitas, que também fala muito profundamente ao meu coração, aliás, ao coração de quem a lê, porque ela, a despeito da verdade que encerra, é muito simples. É o versículo 10 do capítulo 90 do livro de Salmos, o qual diz que os dias da nossa vida chegam a setenta anos e que, se alguém passa disso, o resto é canseira, enfado, sofrimento ou, por minha conta, coisa que o valha. Mais uma vez, desnecessária a exegese, a interpretação. A Bíblia diz o que diz, que está escrito. E basta. Nada mais. Os homens, as pessoas, é que complicam tudo. É incrível como há pessoas que gostam de complicar as coisas e andam, ansiosas, sempre à busca da complexidade! Misericórdia! Sim, misericórdia!... É preciso ter sabedoria para ver e contemplar a beleza e a complexidade das coisas aparentemente simples. A vida é curta, muito curta, e, por isso, deve ser vivida, como se cada momento fosse o derradeiro, até porque um deles, que não sabemos qual é, realmente o será. E aí, babau, cachimbo de pau! Depois da morte, o juízo! É, sim! A Bíblia também o diz, não obstante exista quem acredite na reencarnação. Eu não acredito, mas isso é outra história. Respeito quem acredita, como quero e exijo que me respeitem. Eu quero é tomar banho de chuva e fazer outras coisas semelhantes, que se danem o mundo e quem gosta de complexidades. Tomar banho, descalço, na chuva é bom, se a chuva é grossa, abundante. Principalmente, se for à tarde; não sei por quê, mas, à tarde, é mais gostoso. Eu já fiz muito isso, desde criança e posso, por isso, garantir que vale a pena. Sim, “paga a pena”, como diria Machado de Assis. Experimente você que, porventura, nunca o fez. Depois, quando me encontrar por aí, comente comigo. Diga-me o que sentiu.
Escrito por Dr. Valdinar M. de Souza às 11h41
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